300 pessoas vão à missa de 7º dia de João Roberto no Rio

No fim da cerimônia, a avó Cirene Amorim, hipertensa, passou mal e desmaiou

Fabiana Cimieri, Agência Estado

12 de julho de 2008 | 13h27

Cerca de 300 pessoas participaram neste sábado, 12, da missa de 7.º dia pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos e 11 meses, morto após o carro em que estava com a mãe ter sido alvejado por 17 disparos de policiais militares. Nenhuma autoridade do governo estadual compareceu. No fim da cerimônia, a avó Cirene Amorim, hipertensa, passou mal e desmaiou. A mãe, Alessandra, amparada por parentes e amigos, foi levada para a sacristia. Veja também:Não houve tiroteio antes de menino morrer, diz delegado no RJ Mãe de garoto morto por PM desabafa: 'eu não desculpo'Governo não pode deixar que a PM vire a 'Geni', diz Beltrame O pai do menino, Paulo Roberto Soares, disse que a família cogita passar um tempo fora do Rio. Segundo ele, sua mulher está traumatizada. "Ela não pode ouvir um barulho, como uma porta batendo, porque fica apavorada." Segundo ele, o momento mais doloroso foi quando voltou para casa para pegar alguns objetos e entrou no quarto do filho. "Eu me emocionei muito." Questionado se seria capaz de perdoar os policiais militares, Paulo respondeu: "Eu não tenho essa grandiosidade, eu não consigo". Durante a missa, celebrada na Catedral Metropolitana, no centro do Rio, o padre Haroldo disse aos pais de João Roberto que "não deixem a vingança tomar conta do coração". "Lutem pela conversão dos seus algozes, mas não deixem de lutar por Justiça", declarou. Na homilia, ele perguntou a Alessandra, que dirigia o carro alvejado por PMs, se João Roberto teve tempo de falar alguma coisa, mesmo depois de ter sido baleado. Chorando, a mãe respondeu: "Não. Não teve." Parentes de outras vítimas da violência foram à missa prestar solidariedade aos pais do menino. Daniela Duque, mãe do estudante Daniel, que também morreu baleado por um policial militar em uma briga de freqüentadores de uma boate de Ipanema,na zona sul, há menos de um mês, era uma das mais emocionadas. "A gente veio porque a dor deles é igual à nossa. E a gente pode dividi-la um pouco, porque só Deus mesmo para fazer a gente levantar todos os dias."

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