32,9% votariam pela reeleição de Kassab

Pesquisa InformEstado e Instituto GPP mostra que já são 65% os que consideram boa ou regular a atual gestão; Cidade Limpa é o grande trunfo

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) enxerga 2008 com otimismo. Segundo pesquisa realizada pelo InformEstado e Instituto GPP, 32,9% dos paulistanos estão dispostos a votar pela sua reeleição em outubro - há ainda outros 22,3% de indecisos. Kassab também está respaldado por uma boa avaliação de sua gestão em 2007. A quantidade de entrevistados que avalia como boa e ótima a sua gestão soma 37,1%, ante 20,3% dos que a consideram ruim ou péssima. Os números revelam um desempenho acima das expectativas num ano em que o prefeito expulsou, aos berros, um cidadão de um pronto-socorro e fechou vários estabelecimentos, além de ter vivido momentos de extrema apreensão com o desabamento de uma obra do Metrô e os dois maiores acidentes da história dos Aeroportos de Congonhas e Campo de Marte, que mataram 207 pessoas. Os 37,1% que consideram a administração boa ou ótima superam com folga os 15% que tinham a mesma avaliação na pesquisa de dezembro de 2006. Mas, numa comparação com dezembro de 2005, quando o então prefeito José Serra (PSDB) completou 12 meses à frente da administração paulistana, Kassab ainda fica atrás. Serra alcançava 40,4%. O prefeito, porém, é mais bem avaliado na comparação com dezembro de 2003, quando Marta Suplicy - possível rival em outubro - era a prefeita. A gestão da petista foi boa ou ótima para 28,2% dos entrevistados. De acordo com a pesquisa, o que mais chamou a atenção dos paulistanos neste ano na administração municipal foi o combate à poluição visual. A Lei Cidade Limpa, que proíbe publicidade exterior, foi citada por 50,4% dos entrevistados pelo InformEstado. "O Cidade Limpa está no contexto da qualidade de vida. Combate a poluição do ar, água, sonora e visual. Definimos combater, no início, somente a visual. Foi uma estratégia que deu certo. No início, a cidade tinha receio. À medida em que foi ficando claro que era para valer, que havia fiscalização para todos, foi muito positiva a adesão na capital e passou-se a acreditar no poder público como instrumento de combater a poluição", disse o prefeito. "A cidade passou a acreditar que pode mudar as coisas e melhorar. Havia um universo muito grande de paulistanos que achava que a cidade não tinha jeito, estava cada vez pior. Recuperou-se a auto-estima", afirmou.No contraponto das benesses do Cidade Limpa, 19,1% dos paulistanos citam o aumento da tarifa de ônibus como destaque negativo. O reajuste das tarifas foi realizado em dezembro do ano passado, quando 63% reclamaram da ação, e repercute até hoje. "Agora não haverá reajuste das tarifas em 2008", prometeu Kassab.Desde que assumiu o controle da cidade, em 2006, ele vem mantendo em pelo menos 30% a expectativa boa ou ótima em relação ao futuro de sua administração. Hoje está em 47,6%, ante 30,9% de dezembro do ano passado e 40% em junho de 2006. Mas geralmente o paulistano é paciente com seus governantes, sempre dá chances e espera que a situação vá melhorar. Em dezembro de 2002, quando a prefeita Marta Suplicy (PT) completava seu segundo ano de mandato, esse porcentual era de 49,6%.AVALIAÇÃOPara Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, mais do que o porcentual de votos que tem hoje, o que cacifa Kassab para 2008 é a sua popularidade, que só cresce desde que assumiu a Prefeitura. "Hoje ele é um candidato competitivo, o que não era no começo do ano." Nílian Silva, analista da Tendências Consultoria, lembra que Kassab começou a gestão desconhecido. "Hoje ele é bem avaliado pela população, tem rejeição pequena e, por isso, muito espaço para crescer." Segundo Nílian, nem a confusão em que Kassab se envolveu ao expulsar Kaiser Paiva Celestino, quando ele protestava numa Unidade Básica de Saúde (UBS), em fevereiro, arranhou sua imagem a ponto de prejudicar a candidatura. Pelo contrário. Para a analista, a gafe pode até ter trazido benefícios para a imagem do prefeito."Até então, ele era ninguém. Depois do incidente, ficou com uma imagem negativa, mas em seguida as pessoas passaram a saber quem era o novo prefeito e ele pôde aparecer mais."Mas os analistas ressaltam que a Lei Cidade Limpa, principal ponto positivo desta administração, não bastará para ajudar Kassab a obter sucesso nas eleições. "Ele vai ter de trabalhar os pontos fracos, que são a saúde e a educação", diz Ribeiro. De acordo com Nílian, combater a poluição visual não tem muito apelo entre as classes sociais mais baixas. Apontada na pesquisa como o ponto fraco da atual gestão, a saúde pública, porém, não deverá trazer problemas a uma eventual candidatura de Kassab. Analistas políticos dizem que os eleitores vêem os problemas na saúde como dificuldade crônica, que se arrasta por várias administrações.Os principais simpatizantes de Kassab estão na faixa entre 50 e 64 anos de idade, com 70,3%. Há 67,6% com 1º grau incompleto. Na faixa de renda familiar acima de 20 salários mínimos, o democrata também obteve boa avaliação. São 73% os que avaliam sua gestão como boa ou regular. Kassab também avalia esses resultados como positivos. "Esses eleitores são os formadores de opinião, que lêem jornal, ouvem rádio. Neste momento é muito bom o formador de opinião estar mais expressivo. Porque, quando não é campanha (eleitoral), as veiculações (na mídia) não são muito intensas. O formador de opinião não muda. O eleitor das classes D e E mudaria. Mas no formador de opinião você perde menos, na classe D e E você perde mais", analisou.ALIANÇABastante contido ao comentar uma possível candidatura, Kassab prefere falar em manutenção da aliança com o PSDB e pede que seja feito um debate para se definir o concorrente. Mas mostra que as pesquisas serão suas aliadas. "Por coerência, eu jamais faria da candidatura um projeto pessoal. É correto que, quando os partidos começarem os entendimentos para o processo eleitoral, eles iniciem as discussões sem ter uma posição fechada. Se você tem uma posição fechada, está admitindo que não quer aliança. E não é isso. Eu quero aliança. E tenho certeza de que o PSDB também quer. Tenho certeza de que vai prevalecer o entendimento. Os dirigentes dos partidos vão procurar se esforçar para achar esse caminho. São duas naturalidades: a manutenção da aliança e a candidatura."Mas ao ser questionado se aceitaria ser candidato a vice-prefeito novamente, numa chapa encabeçada pelo PSDB, Kassab despistou. "Não pode, a lei não permite. Não existe essa hipótese." Pela Constituição Federal, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Kassab pode, sim, concorrer numa chapa como vice. Por lei, a reeleição é aceita, mas o prefeito teria de renunciar ao posto seis meses antes do pleito, em março. COLABOROU HUMBERTO MAIA JUNIORMETODOLOGIA Como foi feito o levantamento: No dia 15 de dezembro, foram ouvidas pelo Departamento de Pesquisa e Informação de Mercado - Estadão (InformEstado) e Instituto GPP - 605 moradores e eleitores da cidade de São Paulo, de ambos os sexos, com idades variando entre 18 e 70 anos, distribuídos de forma aleatória e proporcional à população existente em cada uma das regiões - norte, sul, leste, oeste e centro do Município. A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos porcentuais para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%. Os resultados apresentados, em números absolutos, correspondem aos valores encontrados em campo. As porcentagens refletem o resultado desses valores pela ponderação por sexo e faixa etária. Dessa forma, não podem ser calculadas simplesmente dividindo-se os valores de campo pelos respectivos totais. Elas sofrem um pequena variação.

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