325 cidades oferecem atendimento médico gratuito em casa

Modalidade é incentivada pelo Ministério da Saúde como forma de reduzir o tempo de internação dos pacientes e risco de infecção

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2015 | 03h00

Rio - No serviço público, 325 cidades brasileiras têm equipes de cuidados domiciliares, dentro do programa Melhor em Casa, criado pelo Ministério da Saúde em 2011 para incentivar as prefeituras a aderirem a essa modalidade de tratamento. Entre os benefícios apontados pelo ministério estão a redução do tempo de internação e do risco de infecção hospitalar - foram feitos 340 mil atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre maio de 2012 e maio deste ano.

Além de liberar leitos - só na rede municipal do Rio 947 pacientes receberam atendimento domiciliar por equipes da prefeitura em maio, o equivalente a dois hospitais do porte do Souza Aguiar -, o serviço é mais barato do que manter o doente em internação hospitalar. Ainda assim, muitas vezes planos de saúde recusam a cobertura. A advogada Miriam Athie conseguiu o atendimento para a mãe, Zeni, na Justiça.

“As operadoras temem que a pessoa fique em internação permanente. No hospital, o fim da prestação do serviço é muito clara: a alta. Mas, no domicílio, qual é o limite? É difícil perceber e pacientes e familiares não querem perder o home care, mesmo quando não precisam mais”, disse o presidente do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços de Atenção Domiciliar à Saúde (Sinesad), Ari Bolonhezi.

Tarefas domésticas. Ele afirma que o paciente precisa de um cuidador, que pode ser parente ou pessoa contratada pela família, mesmo quando a internação exige enfermagem 24h. “O enfermeiro não fará as tarefas domésticas, como preparar a comida do paciente. Ele vai treinar o cuidador para que o paciente tenha vida mais autônoma. Esse é o nosso grande nó. Se a família não tem condições sócio-econômicas ou psicológicas de receber o paciente em casa, talvez a solução seja institucionalizá-lo”, afirma.

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