33,4 mil jovens serão mortos até 2012

Projeção leva em conta cidades com mais de 100 mil habitantes

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 Julho 2009 | 00h00

Até 2012, 33,4 mil jovens brasileiros deverão morrer assassinados nas 267 cidades com mais de 100 mil habitantes do País. A projeção, feita pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), com base em dados de mortalidade de 2006, mostra que, naquele ano, 46% das mortes de jovens no Brasil ocorreram por homicídio. Um desperdício de vidas que mina até mesmo esforços feitos para que as crianças brasileiras ultrapassem a barreira dos primeiros anos de vida. Entre 1990 e 2007, políticas de saúde conseguiram reduzir a mortalidade de crianças com menos de 5 anos de 137 mil por ano para 51 mil. No entanto, boa parte do investimento feito nessas políticas para salvar vidas de crianças se perdeu alguns anos depois. "Elas deixam de morrer por doenças na infância para crescer e morrer por violência na adolescência, antes mesmo de chegar ao auge da vida", afirma Manuel Buvinich, representante adjunto no Brasil do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A perspectiva de morte de 33,4 mil jovens até 2012 causou surpresa até mesmo à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que já trabalha com outros índices de violência e juventude. "Isso significa que teremos 13 mortes diárias por assassinato de adolescentes. Considere-se a preocupação brasileira com a nova gripe A, em que cada morte é contabilizada. Precisamos ter a mesma preocupação com essas vidas perdidas", disse Carmem Oliveira, secretária de Proteção à Criança e ao Adolescente. O estudo "Índice de Homicídios na Adolescência (IHA)", lançado ontem, projeta o número de jovens de 12 anos que não deverão completar 18 anos, a cada grupo de mil. Nas 267 cidades com mais de 100 mil habitantes, a média é de 2 para cada mil adolescentes de 12 anos. "Pode parecer baixo, mas em países pouco violentos esse número precisa ser próximo a zero. A violência contra adolescentes não poderia ser esperada", diz Ignácio Cano, autor do estudo. Em algumas cidades, a taxa pode ser quase cinco vezes maior, como no caso da campeã, Foz do Iguaçu, no Paraná. Na fronteira com a Argentina e o Paraguai, caminho para tráfico de drogas e contrabando de armas, a cidade paranaense tem um IHA de 9,7 por mil - ou seja, de hoje ao final de 2011 pode-se esperar a morte de quase 500 adolescentes no município. A Secretaria da Segurança do Paraná contesta a estimativa (leia mais ao lado). As 20 cidades com maiores índices de mortalidade de adolescentes se concentram em oito Estados. Entre elas, estão apenas duas capitais, Maceió e Recife. Boa parte das demais, no entanto, está nas zonas metropolitanas. É o caso de Cariacica e Serra, municípios da Grande Vitória, que aparecem em terceiro e sexto lugares, respectivamente, e Olinda e Jaboatão dos Guararapes, zona metropolitana do Recife.

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