34 turistas são assaltados em nova ação em albergue

Ladrões ameaçaram explodir lugar com granada; anteontem, estabelecimento em Copacabana foi roubado

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 00h00

Vinte e quatro horas após o assalto a 13 turistas em um albergue de Copacabana, na zona sul, mais 34 estrangeiros foram roubados na madrugada de ontem em um albergue da Lapa, centro do Rio. Nas duas ocasiões os criminosos chegaram por volta das 3 horas, armados com pistolas e granadas. Mais uma vez havia policiais militares a cerca de 60 metros do prédio e ninguém foi preso. O inglês Nzube Ufodike, de 29 anos, que chegara ao Rio na segunda-feira para passar o carnaval, carregou a mala com o que restou para a Delegacia de Apoio ao Turista (Deat). Ele perdeu laptop, máquina fotográfica, dois celulares, Ipod e um par de tênis. De férias, disse que agora pretende seguir para Buenos Aires. Os 34 hóspedes que estavam no albergue SambaVilla, na Lapa, foram trancados em um quarto com quatro beliches e tiveram as mãos amarradas com fita crepe. Antes, um canadense que não entendia o que os assaltantes pediam, em português, foi agredido. Um deles ameaçou explodir o lugar. O assalto na Lapa começou depois que dois homens entraram na recepção e pediram para usar o banheiro. A rua em frente estava cheia e a porta estava aberta, porque um italiano havia saído para comprar caipirinha. "Eu disse que não (podia usar o banheiro), aí um deles mostrou a granada e disse: ?Fica quieto senão vai morrer todo mundo?. Aí, entraram mais quatro e eles tiraram as pistolas das mochilas", disse Luiz Felipe Cândido da Cruz, de 25 anos, gerente do albergue. O sétimo assaltante ficou na porta. Além das pistolas, eles também sacaram facas. Cruz contou que a câmera de segurança estava desligada por causa de uma obra. A ação dos criminosos durou 1h30. Dos 34 hóspedes, cerca de 25 estavam dormindo. Todos foram roubados. Havia ingleses, alemães, holandeses, israelenses, espanhóis, argentinos, um francês e um sul-coreano. Este teve o passaporte levado. "Quase todos estão dizendo que vão embora do Brasil", disse o gerente. O albergue tem capacidade para 63 pessoas e cobra diária de R$ 27. Um ex-funcionário do lugar, João Batista da Silva, de 44 anos, foi à delegacia e contou que havia sido ameaçado por um sócio do dono do albergue. "Ele disse que ia me encher de bala porque sou o mandante (do assalto), mas não fiz nada", afirmou. Silva disse que o dono lhe deve R$ 1,8 mil. O dono não foi localizado, mas o gerente disse que ele foi demitido em janeiro e negou que haja dívidas. "Ele (Silva) já ameaçou me matar e matar o patrão. É uma pessoa problemática." O titular da Deat, Fernando Veloso, disse que Silva está sendo investigado. O delegado pediu à Justiça a prisão de um suspeito de ter ordenado o assalto na Lapa, mas não revelou o nome. COPACABANA O delegado da Deat também disse que duas vítimas do primeiro assalto, em Copacabana, reconheceram o suspeito Rodrigo Mota Coutinho, o Pelica, de 26 anos, condenado por porte de arma e foragido desde janeiro do ano passado. Trata-se de uma quadrilha formada por jovens de classe média, declarou Veloso. Segundo ele, além de pertences como máquinas digitais, Ipods e laptops, foram levados R$ 17 mil dos 13 hóspedes. O delegado disse que, embora haja coincidências como o horário e o uso de granada, "por enquanto nada indica que exista ligação entre os dois assaltos". O Rio tem cerca de 90 albergues, a maioria em Copacabana, Ipanema e Santa Teresa, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. O delegado disse que "procedimentos básicos" de segurança não são adotados em albergues e afirmou que fará uma vistoria em todos com a prefeitura. Um dos turistas assaltados no King George, em Copacabana, o alemão Dani Bode, de 28 anos, resumiu: "É o Rio. Eu esperava ser assaltado na praia e na rua, mas nunca na cama, dormindo."

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