340 soldados já protegem fazenda de FHC

Cerca de 340 homens do Exército desembarcaram na madrugada desta terça-feira, na Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, para protegê-la de uma possível invasão de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).A decisão foi tomada depois que o ministro-chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso, comunicou ao presidente, que estava em viagem ao Equador, os riscos de um novo problema na área.No início da noite desta terça-feira, a direção do MST reuniu-se para fazer uma avaliação da conjuntura nacional e decidir os rumos do movimento. Enquanto isso, cerca de 150 sem-terra continuavam caminhando em direção à fazenda.A autorização para o envio da tropa foi transmitida ao ministro da Defesa, Geraldo Magela, ainda na segunda-feira. Os soldados não têm prazo para desocupar a área.Esta é a quinta vez que os militares ocupam a fazenda para protegê-la da ação de integrantes do MST que ameaçam invadi-la. O deslocamento de soldados do Comando Militar do Planalto para proteger a fazenda dos filhos do presidente já foi objeto de grandes polêmicas.O Exército assumiu a função de evitar qualquer dano ao patrimônio presidencial depois que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que se tornou inimigo político de Fernando Henrique, decidiu não enviar tropas da Polícia Militar estadual para proteger o local.A discussão foi parar no Supremo Tribunal Federal, em setembro do ano passado, provocada pelo próprio Itamar Franco. O STF entendeu que, como o presidente freqüenta o local ? no último fim de semana, por exemplo, ele esteve na fazenda com a família ? a guarda da fazenda tem de ser feita por tropas federais. A missão está amparada pela Constituição.O general Cardoso, responsável pela segurança presidencial, decidiu pedir autorização para os soldados do Batalhão de Guarda Presidencial ocuparem a fazenda tão logo foi informado da mobilização de 150 sem-terra em direção a Buritis.Cardoso quer evitar nova surpresa, como a do ano passado, quando o Planalto esperou inutilmente por uma ação da PM mineira. O MST aproveitou-se da situação e chegou a saquear caminhões com produtos da fazenda do presidente.

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