Maycon Nunes/Agência Pará
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4 presos de Altamira são mortos durante transferência no Pará

De acordo com o governo do Estado, detentos eram da mesma facção e foram comparsas no confronto; massacre já soma 62 vítimas

Felipe Resk, Enviado especial

31 de julho de 2019 | 10h24
Atualizado 01 de agosto de 2019 | 01h35

ALTAMIRA - Quatro presos que estariam envolvidos no massacre do Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará, foram mortos por sufocamento dentro do caminhão-cela na noite de terça-feira, 30, durante a transferência para Belém. Com isso, o total de vítimas relacionadas ao ataque chega a 62. O Ministério Público do Pará (MP-PA) vai apurar. A chacina em Altamira já é a maior desde o massacre do Carandiru, em 1992, que teve 111 mortos. 

Trinta presos estavam no veículo e todos haviam sido removidos de Altamira por suposta participação no ataque da facção Comando Classe A (CCA) contra rivais do Comando Vermelho (CV). Conforme investigadores, os quatro mortos são da CCA. Dois – Dhenison Ferreira e José Ítalo Meireles – tinham várias passagens por homicídios. Os outros são Valdenildo Mendes e Werik Lima. 

Em nota, o governo disse apurar o caso. “Eram da mesma facção e viviam juntos nas mesmas celas. Foram comparsas no confronto entre facções”, diz o comunicado do governador Helder Barbalho (MDB). As mortes foram à noite, no caminho entre as cidades de Novo Repartimento e Marabá, e os envolvidos estariam algemados. Ainda sgundo a versão do governo, os responsáveis pela segurança não teriam percebido a ação. Ao chegar a Marabá, “encontraram quatro presos mortos”. Os demais detentos serão colocados em isolamento. 

Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública, Ualame Machado, os presos estavam com algemas plásticas divididos em quatro celas. "Quem está na boleia (do caminhão), dirigindo ou acompanhando, não consegue ouvir gritos na carroceria", disse. 

O caminhão, segundo Machado, tem um sistema de monitoramento por câmeras, mas há falhas no sinal das imagens em alguns trechos sem asfaltamento da estrada. As mortes foram à noite, no caminho entre as cidades de Novo Repartimento e Marabá. A perícia concluiu que os presos foram mortos por asfixia mecânica. 

Para o delegado-geral Alberto Teixeira, não há dúvida de que os detentos foram mortos dentro do caminhão. "Eles estavam com uma amarra que, no conjunto de forças, é capaz de quebrar. Coisa que não se pode prever, quando se tem um grupo que em tese não tem ambição de matar quem quer que seja." 

Pelo menos 9 presos, que foram identificados com as algemas quebradas, estão envolvidos no crime, segundo Teixeira. Os detentos estão na seccional de Marabá e deverão ser submetidos a audiência de custódia nesta quinta-feira, 1º. 

O MP-PA abriu inquérito civil e acompanhou depoimentos. A Defensoria disse também acompanhar a situação.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro comentou o caso e disse que os mortos na transferência “com toda certeza, deviam estar feridos”.”Ninguém quer maltratar presos nem quer que sejam mortos, mas é o hábitat deles, né?”, disse, após relatar que seu sonho seria um presídio agrícola com trabalhos forçados – o que a Constituição veta. / COLABARARAM ISABELA PALHARES e MARIANA HAUBERT

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