40 mil crianças de AL foram agredidas em 2007, diz relatório

Dados são do Fórum Estadual dos Conselhos Tutelares; Mais dois casos ocorreram neste fim de semana

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S.Paulo,

08 de abril de 2008 | 17h31

O presidente do Fórum Estadual dos Conselhos Tutelares de Alagoas, Edmilson de Souza, anunciou nesta terça-feira, 8, um relatório contendo dados dos 106 conselhos tutelares do Estado, com registros de agressões contra crianças e adolescentes cometidas em 2007. Segundo Edmilson de Souza, no ano passado, foram registrados mais de 40 mil casos de crimes contra crianças e adolescentes, em Alagoas. "É horrível constatar isso, mas há uma escala crescente, além dos abusos sexuais que vem crescendo muito", afirmou Edmilson de Souza, em entrevista à TV Gazeta, nesta manhã. Segundo ele, a maioria dos casos de agressão é praticada por familiares das vítimas, como padrasto, pai e irmãos.  "Os casos têm crescido bastante e já são rotineiros. Há uma verdadeira desestrutura familiar que provoca problemas dessa ordem e incentiva elementos dessa natureza a praticar crimes hediondos contra as crianças", relatou o conselheiro tutelar.  Edmilson de Souza disse que o crime atinge todas as classes sociais, mas que as vítimas que possuem menor poder aquisitivo sofrem mais, são mais vulneráveis. "No caso desse empresário, por exemplo, ele é uma pessoa esclarecida, mas a menina não. As vítimas geralmente são as mais carentes, exploradas e vítimas de um ambiente familiar desestruturado", comentou o conselheiro tutelar, referindo-se ao caso de um engenheiro que foi preso no último final de semana, dentro de motel com uma menina de dez anos. O presidente do Fórum disse que não há um perfil definido para o agressor. "Podem ser pessoas aparentemente recatadas, de boa convivência familiar, pais exemplares, até pessoas com comportamento bastante desregrado".  O que mais contribuiu para o aumento dos casos, segundo o presidente do Fórum, é o "pacto do silêncio", onde as mães, temendo perder o companheiro, acabam por pactuar com os agressores, colocando as crianças como mentirosas. "A coisa começou a ser mais divulgada, mas ainda tem muitos casos não divulgados. Estes que estão no pacto de silêncio, no seio da família".  No último final de semana, a polícia registrou dois casos de estupro: o da menina de 10 anos violentada por um engenheiro dentro de um motel em Maceió, e o caso da dona de casa Marluce Galdino dos Santos, 40, que foi violentada e espancada junto com sua filha de 12 anos, na tarde do último domingo, no conjunto Village Campestre. Na noite de segunda-feira, 7, Marluce foi transferida da Unidade de Emergência para a Maternidade Escola Santa Mônica, no bairro do Poço. A transferência aconteceu a pedido da família, preocupada com o estado grave da vítima, que precisava de cuidados específicos, para pacientes de estupro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.