Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

43% dos venezuelanos transferidos para outros Estados têm emprego, aponta ONU

Segundo a Acnur, estão registrados 245 de 564 venezuelanos; demanda está em construção civil, serviços e comércio

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2018 | 21h04

BRASÍLIA - Um levantamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast, mostra que 43,4% dos venezuelanos transferidos de Roraima para outros Estados desde abril têm ocupação. São 245 dos 564 imigrantes com mais de 18 anos.

De acordo com Paulo Sérgio de Almeida, oficial de meios de vida da Agência da ONU para refugiados, existe maior demanda de empregos no setor da construção civil e para prestação de serviços gerais e comércio. “Algumas empresas têm política de diversidade no seu quadro de profissionais. E há também as que se sensibilizam.” Entre sete Estados que passaram pelo processo de interiorização, São Paulo é o que mais apresenta empregados em números absolutos. Foram 125 de um total de 266.

Proporcionalmente, o Estado de Mato Grosso foi o que mais empregou interiorizados. Em Cuiabá, 58 dos 83 em idade ativa possuem emprego, somando cerca de 70%. Entre eles está Denis Chiguinguira Gonzalez Fernandez, de 39 anos, uma das centenas de mães venezuelanas que saíram do seu país para evitar que os filhos morressem de fome. No mapa, ela mostra o percurso que percorreu com o marido de Maracaibo, de carona, até chegar a Caracas, depois até Boa Vista e de avião da Forca Aérea Brasileira (FAB) para chegar a Cuiabá, em abril. 

Hoje trabalha de auxiliar de limpeza no Colégio Notre Dame de Lourdes. “Fomos procurados com três dias que eles estavam aqui”, conta a diretora, irmã Marluce Almeida. O colégio tem cinco venezuelanos. Denis veio com o marido, Israel Ugas, de 38 anos. “Preferimos vir só nos dois, pois tínhamos consciência das dificuldades que iríamos passar. Deixamos nossos quatro filhos com minha irmã, que tem também quatro filhos. Mando dinheiro para ajudar todos”, disse. O próximo passo, aliás, é trazer os filhos. 

No mesmo colégio, Jesus Dias, de 30 anos, trabalha na jardinagem. Ele veio ao País com a mulher, grávida. “Gosto muito do povo brasileiro, fui recebido com muito carinho, mas se a situação do meu pais melhorar, eu volto.” / COLABOROU FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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