435 morreram no fim de ano, 13% a mais do que em 2007

O número de mortes nas rodovias estaduais de São Paulo caiu 25,6% no feriado de fim de ano em relação ao mesmo período do ano passado, de 82 para 61. Nas federais que cortam o Estado, a queda foi ainda maior, 47,6%. No restante do País, no entanto, o resultado das operações rodoviárias durante os feriados de Natal e ano-novo foi bem diferente: de 20 de dezembro até anteontem 435 pessoas morreram nas estradas federais. O número ficou 13,28% acima do verificado no período equivalente do ano anterior, conforme o balanço da violência nos 61 mil quilômetros de rodovias divulgado pela Polícia Rodoviária Federal.Foi o primeiro fim de ano sob a vigência da lei seca, que começou a valer em junho de 2008. Em São Paulo, a Polícia Rodoviária Estadual atribuiu à nova legislação a redução da violência nas estradas. "A lei seca foi crucial", afirmou o tenente Cláudio Rogério Ceoloni, porta voz da PRE.No País, a expectativa era de que o número de acidentes e mortes também seria menor. De 20 de dezembro até anteontem, porém, foram registrados 7.140 acidentes, 7,8% a mais do que no feriadão do ano anterior (6.621). O total de feridos (4.795) também cresceu 6,6% em relação aos 4.497 de 2007. A irresponsabilidade de motoristas, aliada às fortes chuvas e ao movimento recorde nas estradas foram apontados como os fatores que mais contribuíram para o agravamento da violência no trânsito, observada em todos os indicadores. Até mesmo o índice de letalidade das ocorrências, que vinha caindo em 2008, depois da lei seca, voltou a crescer nas últimas semanas: um acidente em cada 1,5 provocou feridos no feriadão e em cada 16 ocorrências uma causou morte imediata. A média anterior era de uma morte a cada 21 acidentes. "Não há o que comemorar, foi um fim de ano banhado de sangue e marcado por mortes, imprudência e excessos nas estradas", lamentou o inspetor Alexandre Castilho, porta-voz da PRF. "A situação nos obriga a analisar os dados em profundidade para atacar os culpados e propor medidas mais eficazes", acrescentou o inspetor Alvarez Simões, Coordenador-Geral de Operações da PRF. Os números impressionaram ainda mais porque a PRF colocou de prontidão todo seu efetivo de mais de 9 mil patrulheiros e a fiscalização foi muito dura na aplicação da lei seca, que proíbe o consumo de álcool por motoristas, em qualquer quantidade. Apesar disso, a cada 20 minutos os policiais flagraram um bêbado ao volante. Nada menos do que 1.043 motoristas alcoolizados foram impedidos de seguir viagem, dos quais 650 acabaram presos em flagrante por apresentarem elevado teor de embriaguez, com risco grave à segurança do tráfego. Segundo os dados da PRF, chama a atenção a quantidade de veículos lotados envolvidos em desastres graves. Ônibus e automóveis, muitas vezes com mais passageiros que o permitido, estiveram no centro de várias tragédias. A maioria dos autos de infração diz respeito a excesso de velocidade, enquanto a maior parte dos acidentes ocorreu em ultrapassagens perigosas. COLABOROU VITOR HUGO BRANDALISE

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.