45 funcionários públicos envolvidos em tráfico de pessoas

Pelo menos 45 funcionários públicos, entre policiais federais, civis e agentes alfandegários, estão envolvidos com falsificação de documentos para facilitar o tráfico de pessoas para o exterior. A revelação foi feita hoje, durante o Seminário sobre Tráfico Internacional de Seres Humanos no Brasil, onde foi apresentado uma pesquisa inédita sobre o perfil das vítimas. A maioria, pobre, com idade entre 18 e 21 anos, e que é aliciada principalmente pelos próprios brasileiros.A pesquisa foi feita pelo advogado e professor Marcos Colares, que vistoriou 36 processos e inquéritos em tramitação na Justiça e Polícia Federal. "Infelizmente verificamos que existem poucos trabalhos em relação ao tráfico de seres humanos", afirmou a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas. "Os inquéritos e processos são poucos." Para ela, é necessário modificar a legislação para ampliar a abrangência do crime. "Em vez de tráfico de mulheres, vamos propor a mudança para tráfico de seres humanos, e não apenas para o exterior, mas em rotas também interestaduais." Foi em um dos processos analisados na Justiça Federal do Rio de Janeiro que Colares percebeu o envolvimento de agentes públicos nos casos. Segundo ele, a ação não é diretamente ligada ao envio de pessoas ilegalmente para o exterior, mas facilitando a ação dos agenciadores.Na pesquisa, apenas 2% dos casos a pessoa assegurava que era profissional do sexo, enquanto que 14% não informaram quetipo de trabalho faziam. Cerca de 13% eram cobradoras, comerciárias, cabeleireiras, digitadoras, manicures, vendedoras, profissionais liberais e corretoras de imóveis. A maioria das vítimas é levada para países de língua latina, principalmente para a Espanha, mas muitas foram para Itália, Israel, Suiça, França, Estados Unidos e Japão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.