50% da equipe de resgate foi desmobilizada em SC

Recomeçou ontem à tarde a busca pelos desaparecidos da tragédia; grande parte pode estar nos destroços da região do Morro do Baú

Rodrigo Brancatelli, Gaspar, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

Com bombeiros, equipes da Força Nacional de Segurança e cães farejadores vindos de vários Estados, recomeçou ontem de tarde a busca pelos desaparecidos da tragédia causada pelas enchentes em Santa Catarina. São pelo menos 31, oficialmente, mas militares ouvidos pela reportagem estimam que um número bem maior pode estar entre os destroços dos desmoronamentos na região do Morro do Baú, um complexo de montes que foram evacuados e lacrados pelo risco de novas vítimas. Há com certeza corpos soterrados em três cidades da região do Vale do Itajaí, mas desde o começo da semana o resgate estava suspenso pelo risco de novos desmoronamentos.Ali no Morro do Baú, um pai já chegou até a construir três humildes caixões de madeira, para o seu filho, a mulher e uma sobrinha, soterrados em um deslizamento de terra há 11 dias. A operação de resgate dos corpos é o último passo para que o trabalho da Força Aérea e das equipes que participam dos salvamentos seja concluída - ontem de manhã, cerca da metade do efetivo já estava sendo desmobilizado e muitas pessoas que trabalhavam no centro de operações de Navegantes há quase duas semanas finalmente puderam voltar para a casa. "Minha mulher me liga todo dia perguntando quando vou voltar. Hoje de noite vou aparecer de surpresa lá", disse um soldado de Minas, com mala feita.Aos poucos, bem aos poucos, os moradores tentam retomar as rotinas, da maneira que for possível. Alunos das escolas municipais de Itajaí já foram avisados que as aulas serão retomadas na segunda-feira. De acordo com a Secretaria de Educação, cerca de 27.750 crianças e adolescentes dos ensinos básico e fundamental estão sem aulas desde o dia 24. Caçambas começaram a chegar para ajudar na limpeza da cidade - a água deixou um rastro de 100 mil m³ de lixo e entulho, segundo estimativa otimista da prefeitura. Blumenau por sua vez já começou a tirar a terra que se acumula nas ruas e planeja agora a reconstrução de dois bairros devastados pelas enchentes. Ontem em Gaspar, funcionários da Prefeitura recolhiam o lixo e pintavam as sarjetas. Desde o começo da semana, 33 mil pessoas puderam finalmente sair dos abrigos e retornar às casas. "Vou tentar consertar o que der, né", disse, apressado, um morador de Ilhota, em plena rodovia, levando em sua caminhonete o pouco que havia sobrado de sua casa.

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