500 famílias de sem-teto invadem área na divisa de São Paulo

Cerca 500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) invadiram, na noite de sexta-feira, um terreno de 1,2 milhão de metros quadrados, no limite de São Paulo com o município de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A tendência, segundo a coordenação do MTST, é de que o número de famílias aumente com o passar do tempo. Até o início da tarde deste sábado, o movimento calculava que 800 famílias já haviam montado barracas de lona no terreno. A Polícia Militar tentava cercar o local.A ocupação ocorreu por volta das 22h30 e foi conduzida pela ?linha de frente? do movimento - coordenadores do MTST e lideranças locais. Policiais militares estiveram no terreno na manhã deste sábado e, depois de ouvir os coordenadores, registraram um boletim de ocorrência na delegacia da cidade. No início da tarde, a PM voltou com mais carros ao local e, de acordo com o MTST, estava barrando a entrada de famílias com galões de água e comida.?Isso é um absurdo. Ainda não tivemos tempo de montar a cozinha comunitária e as famílias não podem ficar aqui em jejum?, queixava-se a coordenadora do movimento, Helena Silvestre, de 22 anos. Ela conta que, no passado, o terreno pertenceu ao frigorífico Eder. Há alguns anos, porém, a empresa repassou o terreno ao Banco do Brasil para quitar uma dívida. Em 2005, o terreno foi a leilão. Parte do lote - cerca de 150 mil metros quadrados - foi arrematada por uma pessoa física. O restante foi comprado pela incorporadora São Joaquim.A coordenação do MTST informou que a quase totalidade da área fica no município de Itapecerica da Serra e está prevista no Plano Diretor da cidade como área adequada à construção imobiliária. ?Ainda não decidimos como vamos tratar a questão jurídica. Temos casos de vitória, temos casos de despejo. Depende muito da mobilização das famílias?, diz Helena. Os advogados dos proprietários não foram localizados para comentar a invasão.HistóricoO MTST está ampliando suas atividades. Em 2005, 300 integrantes do movimento invadiram a prefeitura do Recife (PE) para exigir agilidade na legalização de oito áreas ocupadas na cidade. O grupo também solicitava que seus membros fossem incluídos em programas como o Fome Zero e auxílio-gás.Também reivindicando benefícios, Cerca de 300 sem-teto do MTST já haviam protestado no último dia 1º contra o fim da vigência da bolsa-aluguel pago pela Prefeitura de São Paulo, na frente do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista). Em abril do ano passado, 60 famílias ligadas ao movimento invadiram um terreno e algumas casas no Brás (centro de São Paulo). A área foi comprada em 2001 para a construção de moradias, projeto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Hamilton Silvio de Souza, do MTST, justificou a ação, dizendo que o projeto estava parado havia 40 meses. Por isso, resolveram ocupar as casas que ficam em volta do terreno.A estratégia de invadir e rapidamente ocupar já foi tentada em outra oportunidade, em maio do ano passado, também em uma região-limite da capital paulista. A Polícia Militar evitou que 80 famílias ocupassem um terreno no Parque Continental. Os soldados precisaram providenciar dois ônibus para executar a retirada das famílias. A suspeita dos policias era de que a ocupação poderia ser o início de uma favela.

Agencia Estado,

17 de março de 2007 | 14h56

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.