500 pessoas foram resgatadas em Mariana, dizem bombeiros

Distrito de Bento Rodrigues tem cerca de 600 moradores; seis helicópteros trabalham nas buscas das demais vítimas

Bruno Ribeiro, Diego Moura e Leonardo Augusto, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 09h55

MARIANA - A sala de apoio do Batalhão de Operações Aéreas de Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que cerca de 500 pessoas já saíram ou foram resgatadas de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais, atingido por dejetos de mineração depois de rompimento de barragem da empresa Samarco. O distrito tem aproximadamente 600 moradores.

Conforme os bombeiros, seis helicópteros trabalham neste momento no resgate de pessoas ilhadas e transporte de bombeiros. Um outro helicóptero está sendo usado para transporte de autoridades e técnicos de engenharia e meio ambiente para vistoria da área.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais tem a confirmação de uma pessoa morta e quatro feridas - dois adultos e duas crianças - no estouro das barragens da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana. A corporação segue em busca de feridos e, desde a madrugada, resgatam pessoas que passam por um "processo de descontaminação por ferro" e estão "sendo encaminhadas para recurso hospitalar". 

Há duas frentes de trabalho neste momento, de acordo com informações da Prefeitura de Mariana. Em uma delas, os bombeiros trabalham em busca de sobreviventes e desaparecidos; na outra, são recebidos desabrigados, vítimas e doações. Ainda segundo a prefeitura, o prefeito Duarte Junior (PPS) deve convocar uma entrevista coletiva para as próximas horas. 

Resgatados. Desalojados pelo mar de lama que tomou o distrito, os moradores relatam cenas de horror na hora do acidente. "Um caminhão passou buzinando feito louco, avisando que a barragem rompeu. Ele foi parando e gritando: 'Pula! Pula!'. As pessoas foram se jogando na caçamba, uma sobre as outras", conta a dona de casa Rosa Helena da Silva, de 46 anos, uma das vítimas abrigadas no ginásio poliesportivo da cidade. "No final, o caminhão nem estava mais parando para o pessoal entrar."

Segundo Rosa, quando o grupo chegou a Santa Rita, um vilarejo vizinho, cerca de 60 pessoas estavam no caminhão. "Não teve aviso, não teve nada, só esse caminhão que passou buzinando. Muita gente ouviu os gritos do caminhoneiro, mas não entendeu ou não acreditou e ficou", diz.

A dona de casa relata ter visto crianças vomitando por causa da lama com resíduos da mineradora. "Um homem estava com as duas pernas quebradas", afirma. Os desabrigados também recebem donativos no ginásio.

"Meu filho estava de carro e nos levou até a igreja. Não sobrou nada de nossa casa", conta a dona de casa Dirce Breta Sobrera, de 73 anos. Com um pé enfaixado, ainda atônita, ela diz que não sabe como se machucou. "Foi na correria."

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