500 protestam contra construção de Febem em Osasco

Sob chuva forte, cerca de 500 moradores de Osasco, Cotia e da capital fizeram uma manifestação neste domingo contra a construção de duas unidades da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) em Osasco, na margem da Rodovia Raposo Tavares. São contra por dois motivos: o terreno fica em área de proteção ambiental e deveria ter sido recuperado pelo Estado e por acreditarem ter dado sua contribuição ao sistema carcerário de São Paulo.A comunidade acusa o Estado, que divulga planos de descentralização prisional, de criar um complexo penitenciário nessa região. Num trecho de pouco mais de 2 quilômetros entre Osasco e São Paulo, do km 19,5 ao 21 da estrada, perto do Rodoanel, há dois Centros de Detenção Provisória (CDPs), uma penitenciária feminina e um complexo da Febem com cinco unidades. No total, são 3.026 presos e 500 jovens. Com as novas Febens, serão mais 112 adolescentes.Com caixões representando a morte da instituição, os moradores saíram em passeata até terreno e plantaram cem mudas de árvores. ?Esperamos que o governador (Geraldo Alckmin) desista da obra?, disse a ambientalista Dora de Assis, da ONG In-Pacto.Na área, um galpão foi demolido para dar lugar às duas unidades, cada uma com 40 vagas fixas, mais 16 provisórias. ?Já demos nossa colaboração ao sistema penitenciário. Não queremos mais uma Febem?, disse o secretário do Conselho de Segurança (Conseg) da Granja Viana, Ozair Lessa.Além de protestar, a comunidade ingressou, na semana passada, com duas ações contra o Estado. ?Era dever do governo recuperar aquela área como contrapartida da construção do Rodoanel?, explica Dora.As unidades já existentes ficam na alça de acesso no sentido São Paulo do Rodoanel. A nova Febem ficará do outro lado, no sentido Cotia. A única vizinha do terreno, Nair Gianelli, só soube da obra ao ver os dois galpões demolidos. ?Moro com minha mãe de 80 anos aqui e, se a Febem vier, teremos de mudar. Tenho medo das fugas?, disse. Nair entrou com representação no Ministério Público, pois acredita que terá a casa desvalorizada. A prefeitura de Osasco já embargou a obra, alegando falta de alvará e problemas ambientais: no terreno, que a Dersa cedeu à Febem, passa o Córrego Carapicuíba, área de proteção ambiental. A Febem não apresentou estudos de impacto ambiental e de zoneamento nem projeto de construção, segundo a prefeitura.

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