54,9% acreditam que existe 'mulher para casar', diz pesquisa

Segundo autores do estudo, respostas mostram noção estereotipada

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2014 | 15h00

BRASÍLIA - A pesquisa feita pelo Ipea estampa também o quanto a sociedade brasileira é sexista. Mais da metade dos entrevistados concorda com a visão de que "há mulheres feitas para casar e outras para levar para cama". Também surpreende os porcentuais daqueles que acreditam, total ou parcialmente, que mulher casada deve satisfazer sexualmente o marido, mesmo quando não tem vontade: 38,5% concordam total ou parcialmente com essa afirmação.

Além disso, quase 64% dos entrevistados acham que "homens devem ser a cabeça do lar". Também a maioria (79%) concordou total ou parcialmente com a ideia de que "toda mulher sonha em se casar". Algo que, para os autores, estampa a noção estereotipada sobre desejos e ideais das mulheres.

O pensamento não destoa da condescendência apresentada pelos brasileiros em relação às brigas familiares. Embora digam que lugar de agressor de mulher é na prisão, a maioria (82%) dos entrevistados concorda com a frase de que "o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros". Nessa linha, 78,7% dizem que "em briga de marido e mulher não se mete a colher" e 89%, que "roupa suja se lava em casa".

Serviço insuficiente. A secretária de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, observa a frágil estrutura existente para amparar a mulher que recorre aos serviços públicos para ver punido o seu agressor. "Há 521 delegacias e espaços de atendimento. Um número insuficiente", observa. Ela lembra também que boa parte dos serviços está concentrada em determinadas regiões. Como exemplo, cita o caso do Rio. O Estado dispõe de nove serviços especializados - dos quais sete estão na capital.

"É preciso ter um sistema de atendimento. Um órgão sozinho não conta. Hospitais precisam estar preparados para fazer o atendimento, coletar vestígios de violência sexual para que, se necessário, eles possam, em uma outra etapa, serem avaliados pelos peritos", afirmou Aparecida.

 

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