70% dos pontos críticos de enchente em São Paulo seguem sem solução

Faltam obras como limpeza de bueiros e canalização, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

Vinte e um dos 30 locais apontados pela Prefeitura de São Paulo como críticos por causa de alagamentos em dias de chuva ainda não receberam nenhuma intervenção, como limpeza de bueiros e canalização e obras em córregos, por parte do governo municipal. Nove já foram corrigidos ou estão em obras.O levantamento é do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de 2007. Segundo a Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras (Siurb), projetos para os endereços que ainda não receberam intervenções estão em fase de elaboração.Enquanto os planos municipais não são concluídos, os vilões dos congestionamentos em dia de chuva estão espalhados em todas as regiões da cidade. Alguns são velhos conhecidos do motorista paulistano, como o localizado na Radial Leste, nas proximidades do Viaduto Guadalajara, que sempre alaga e aumenta o já complicado trânsito da via."Nós gerenciamos todos os pontos da capital e o foco é mapear locais que sempre alagam e comprometem a fluidez", afirma Hassan Barakat, engenheiro do CGE. "São áreas que não inundam totalmente, mas onde o nível da água ultrapassa o dos pneus dos veículos, o que já compromete toda a via", diz. Segundo ele, as vias que registraram ao menos duas ocorrências de enchentes no verão de 2007 com comprometimento do trânsito entraram para a lista de locais problemáticos. Depois, os engenheiros enviaram a lista para as subprefeituras. E não são apenas os pontos que atrapalham o tráfego que ficaram sem a intervenção do governo municipal. Na edição de ontem, o Jornal da Tarde, editado pelo Grupo Estado, mostrou que cinco das 31 subprefeituras gastaram menos da metade das verbas previstas para combater enchentes este ano: Cidade Tiradentes (zona leste), Cidade Ademar (zona sul), Itaim Paulista (zona leste), Aricanduva (zona leste) e Jaçanã-Tremembé (zona norte). Nabil Bonduk, professor da Faculdade de Urbanismo e Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU-USP), afirma que além da morosidade do governo em solucionar os problemas, existe a questão do asfalto e do solo impermeável na cidade, que aumenta a possibilidade de inundação. Dados do Movimento Nossa São Paulo mostram que a distribuição de áreas verdes é totalmente desigual. Enquanto em São Miguel, na zona leste, existe 1,7m² de área verde para cada habitante, em Capela do Socorro, zona sul, o índice é de 162 m²/pessoa. "Tanto concreto deixa o solo impermeabilizado", diz Bonduki. "Sem contar a população, que joga lixo na rua e contribui para as cheias."

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