8 são feitos reféns em ônibus

Após assalto em SP, ladrões foram perseguidos e balearam cobrador; dupla se entregou

Felipe Oda e Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Dois assaltantes em fuga mantiveram ontem de manhã oito pessoas reféns, por quase duas horas, em um micro-ônibus na Rua Cerqueira César, em Santo Amaro, na zona sul. Antes, os bandidos haviam batido um carro roubado contra um Chevette no qual estavam uma grávida e o marido, a caminho da maternidade, e ferido um cobrador.A ação começou às 7h, quando João José Santos da Silva, de 27 anos, Carlos de Lima, de 24, e Everton de Oliveira Pires, de 23, entraram numa casa, na Rua Manuel Pereira Guimarães, e dominaram os moradores, José Paulo Gonzales e Maria Carolina Gonzales. O bando levou 6 relógios, 3 celulares, joias, US$ 3.195, R$ 57, uma pistola 635, em nome de Gonzales, e um Citröen C3. Gonzales ainda foi agredido a coronhadas.Silva, Lima e Pires fugiram com o veículo e o dono da casa ligou para a polícia. Na Avenida João Dias, às 7h35, o trio foi abordado por uma viatura da PM. Silva desceu do veículo e se entregou. Os comparsas atiraram contra os policiais e, poucos metros depois, bateram o C3 no Chevette, na esquina com a Rua Barão do Rio Branco. No carro estavam Edvaldo de Souza Barcelar, de 37 anos, e a mulher, Vanessa, de 26, que seguiam para a Maternidade Alvorada Santo Amaro, para que desse à luz o filho do casal."Eles (criminosos) bateram do meu lado e nos jogaram para cima de um poste. Não deu tempo para nada. Só vi o carro vindo na nossa direção", contou Barcelar. Com a colisão, o C3 parou de funcionar. "Também, acabou com o meu carro. Mas na hora eu só pensava no meu bebê e na minha mulher." Um carro do resgate levou o casal para a maternidade. A grávida sofreu apenas torção no tornozelo e deu à luz horas depois.A dupla continuou a fuga a pé pela Rua Cerqueira César. Houve tiroteio com a PM. Às 7h50, Lima e Pires avistaram dois coletivos num ponto final na rua. Ao avistar os dois homens armados, Leandro, cobrador de um dos coletivos, tentou correr e foi atingido na perna e no braço por dois tiros, mas conseguiu escapar e foi encaminhado à Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro. Ele deve ter alta amanhã.NO ÔNIBUSAcuados pela PM, os dois assaltantes entraram no coletivo 6047, ocupado por oito pessoas. "Um deles passou por baixo da catraca e o outro me mandou dirigir o carro. Queriam fugir com o ônibus", disse a cobradora Marinalva Pereira, de 56. Ao dizer que não sabia dirigir o veículo, foi empurrada para fora. "Um disse: ?tia, desempata?."Dentro do coletivo, os assaltantes ainda efetuaram "mais dois ou três disparos", segundo a PM. "Eles exigiam a presença de um advogado e da imprensa. Depois, pediram coletes à prova de balas", disse a passageira Thais Alves, de 25 anos, grávida de um mês. Ela conseguiu avisar, por mensagem de celular, o marido. "A PM e os assaltantes negociaram pelos nossos telefones", disse Thais, liberada às 8h40, após a polícia entregar os coletes. "Disse que estava grávida e um dos criminosos falou que a namorada também estava." Com a presença da imprensa, dos advogados e de Silva, trazido pela PM, Lima e Pires se entregaram. Às 9h40, os dois atiraram as armas pelas janelas e desembarcaram, com os coletes. Os reféns foram usados como escudo. A PM apreendeu com os bandidos uma pistola .40, um revólver calibre 38, outro calibre 32 e a pistola 635 de Gonzales. "Eles só entraram no ônibus para não ser mortos pela polícia", disse Roberto Ribeiro, advogado dos criminosos.

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