800 policiais invadem favelas no Rio

Operação resgata 4 corpos, que seriam do chefe do tráfico no Alemão e da família; suspeita é de execução pelo CV

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

No segundo dia de operações da polícia no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio - que já estava parcialmente ocupado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) -, a ação contou, ontem, com cerca de 800 agentes civis de diversas delegacias e apoio da Polícia Militar. Na entrada dos policiais pelos vários acessos, o tiroteio foi intenso. Um policial civil e duas pessoas acusadas de ligação com o crime morreram na megaoperação, montada para localizar o corpo do traficante Antônio José de Souza Ferreira, o Tota. Outros três policiais ficaram feridos, um deles em estado grave. Quatro corpos carbonizados foram encontrados na localidade conhecida como Torre, na Favela da Fazendinha. A polícia acredita que um deles possa ser de Tota, morto por comparsas após desavenças com os chefes da facção criminosa Comando Vermelho (CV).No Morro do Adeus, em Ramos, policiais do Bope entraram em confronto com traficantes e mataram dois supostos criminosos, Rodrigo André Gouvêa da Silva, de 18 anos, e um homem jovem e pardo ainda não identificado.Mesmo com o apoio de carros blindados e helicópteros, os policiais sentiam dificuldade em avançar. Na Favela da Fazendinha, o policial civil Alexander Marchon, de 37 anos, foi atingido com um tiro na cabeça. O agente, que participava de sua primeira operação, foi atendido no Hospital Getúlio Vargas, onde foi operado. À noite, encontrava-se em estado grave e respirava por aparelhos.No revide policial, dois moradores foram feridos na Fazendinha. Uma equipe da ONG Médicos Sem Fronteiras, que passou a atuar no Alemão, socorreu Paulo Soares, de 18 anos, atingido de raspão no braço por uma bala perdida ao sair de casa. Apesar de a mãe do rapaz pedir, a ambulância da ONG foi obrigada por agentes a esperar a autorização da polícia para sair da favela. Logo em seguida, a dona de casa Elizabeth Dias Pinheiro, de 40 anos, foi atingida com um tiro no braço direito. Após o tiroteio, a polícia anunciou a descoberta dos quatro corpos carbonizados na Fazendinha. De acordo com a polícia, toda a família de Tota teria sido morta. "Um informante disse que viu o corpo dele na caçamba de uma picape. Os filhos foram mortos após a execução dele", disse um policial civil.À tarde, a troca de tiros foi intensa em outra favela do complexo, a Nova Brasília, e policiais da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae), que estouraram um paiol de armas na Grota, ficaram encurralados pelos criminosos no alto do morro - dois agentes ficaram feridos, mas não correm risco de vida. Logo após o socorro aos policiais, outra equipe da Drae ficou encurralada. Agentes partiram em socorro aos colegas, incluindo Luís Mello, de 30 anos, que foi atingido com um tiro de fuzil e morreu. A morte causou comoção entre os policiais e meia hora depois a operação foi encerrada. SINAISApesar de a morte de Tota e a motivação para o crime permanecerem obscuras, alguns sinais ontem mostravam que não houve luto no Comando Vermelho. Não houve pressão do tráfico sobre o comércio e as escolas e o transporte alternativo funcionaram normalmente.

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