85% dos homicídios não têm solução na cidade

A probabilidade de matar uma pessoa no Rio e jamais ser descoberto é de 85%. Nos roubos, a chance de sair impune sobe para 98%. As estatísticas estão na pesquisa "O inquérito policial no Brasil", coordenada pelo sociólogo Michel Misse, do Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio. Os pesquisadores estudaram inquéritos no Rio, Minas, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Brasília. A melhor taxa de elucidação de homicídios está na capital federal: 70%. "Nos outros Estados, com pequenas variações, não passam de 15%. Ou seja, apenas 15% dos homicídios chegam ao Ministério Público." O resultado não significa que a polícia de Brasília seja muito melhor - os homicídios é que são menos complexos. "Em Brasília, o mais comum são crimes passionais. Muitas vezes envolvem brigas de vizinhos. No Rio, é muito mais complicado. São 400 mil ocorrências criminais por ano. Há tráfico, milícia, bala perdida. E, quando a vítima é suspeita de ser bandido, ninguém se interessa em esclarecer quem foi o autor." O objetivo da pesquisa é analisar a eficiência da investigação com base no inquérito policial. "O delegado tem papel ambivalente. Pega depoimento por escrito de testemunhas, tem poder de indiciar sem supervisão de um juiz e produz um inquérito que chega a 5 mil páginas. É um alto custo de tempo e dinheiro público. A solução, para eles, é menos burocracia. "A polícia não precisaria tomar depoimento por escrito. Bastaria ouvir os envolvidos e fazer um resumo. Interrogatório é para o Judiciário. Assim haveria mais envolvimento de promotores e juiz. Hoje, todo o ônus cabe à polícia", diz Misse.

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