90 policiais teriam elo com jogo

Corregedoria da Polícia Civil de SP investiga grupo, diz delegado-geral

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

Noventa policiais civis de São Paulo são investigados pela Corregedoria da corporação, acusados de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, segundo o delegado-geral Domingos Paulo Neto. De janeiro a junho foram apreendidos 20.967 equipamentos na capital e Grande São Paulo, aumento de 16,48% em relação ao mesmo período de 2008. O 77º Distrito Policial (Santa Cecília) acumula o maior número de máquinas. Como os equipamentos não são destruídos com frequência - já que a Justiça define o que será feito com eles -, o prédio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, na Avenida São João, no centro de São Paulo, que ainda nem foi inaugurado, está com um dos andares cheios de máquinas. Para desafogar esse imóvel e os corredores das delegacias, Paulo Neto diz ter pedido ajuda da Prefeitura para viabilizar depósitos. PORTARIA Na semana passada, o delegado-geral também assinou uma portaria para padronizar as questões relacionadas aos caça-níqueis em todo o Estado. Entre as normas, destaca-se um relatório que deve ser obrigatório a todos os delegados titulares dos distritos. No documento, os titulares terão de prestar contas a Paulo Neto. A Polícia Civil quer punir com processos de improbidade os delegados que forem omissos no combate aos jogos com máquinas. "Estamos combatendo a corrupção, que é praticada por poucos na Polícia Civil, mas que acaba manchando o nome da nossa instituição", disse ele. A improbidade administrativa pode ser punida com a perda do cargo e de bens adquiridos com recursos obtidos ilicitamente. Paulo Neto explicou que com o relatório será possível realizar estatística de quantas pessoas foram ouvidas nas delegacias por conta dos caça-níqueis, quais delegacias mais apreendem por região e também será feita investigação sobre locais que têm máquinas. FACHADA Por fora, a propaganda engana. A bombonière na Rua Doutor César, em Santana, na zona norte, não vende nenhuma trufa como informa o cartaz. Um atendente trabalha com a porta entreaberta e nos fundos do estabelecimento biombos escondem os caça-níqueis. Em um bar na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, zona oeste, um funcionário diz que as máquinas foram pegas recentemente pela Polícia Militar. "Volta na semana que vem", garantiu o atendente.

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