91% acham que mídia é arma anticorrupção

Segundo pesquisa do Instituto Análise, 69% veem imprensa como apartidária e Confiável

Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

Para 91% dos brasileiros, a imprensa ajuda a combater a corrupção ao divulgar escândalos que envolvem políticos e autoridades, indica pesquisa feita pelo instituto Análise a pedido do Estado. Nada menos que 97% dos entrevistados se declaram a favor da investigação e divulgação de casos e suspeitas de corrupção pela imprensa.

Quando o instituto pergunta quais são os principais canais de denúncias de corrupção, jornalistas e meios de comunicação aparecem em primeiro lugar, com 50%. Para outros 37%, são os próprios políticos os que mais denunciam irregularidades de políticos. A maioria expressiva dos entrevistados vê a imprensa como apartidária (69%) e digna de credibilidade (88%) ao revelar desvios e irregularidades. Nove em cada dez entrevistados defendem que os meios de comunicação não sejam submetidos a nenhum tipo de controle.

Para Alberto Carlos Almeida, diretor do instituto Análise, o fato de jornais, rádios e TVs serem vistos como os principais canais de denúncias de corrupção revela a boa imagem de que a imprensa desfruta e o descrédito da população em outras instituições. "Em termos de combate à corrupção, os cidadãos se veem representados e assistidos pelos meios de comunicação, mas eles esperam resultados, e é aí que o papel do Judiciário deixa a desejar", analisou, destacando a virtual inexistência de condenações judiciais de políticos acusados de desviar recursos.

"Existe o reconhecimento da cidadania de que, no vazio deixado por outras instituições, a imprensa exerce bem o papel de fiscalizar o poder", avaliou o jornalista Eugênio Bucci, que presidiu a Radiobrás no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bucci fez reparos à utilização, na pesquisa, do termo "denúncia" em relação às práticas da imprensa. Para ele, o papel dos meios de comunicação não é denunciar, mas apontar os indícios de fatos ilícitos.

Depois de citar "o mensalão do PT, a corrupção de Sarney e do Senado, os gastos secretos de cartões de crédito da Presidência, o mensalão do DEM no DF e o mensalão de Minas que envolveu um senador do PSDB", os pesquisadores perguntaram aos eleitores se a imprensa "só faz denúncias contra um lado ou denuncia todo mundo, como o PT, o PSDB, o DEM e o PMDB". Apesar do preâmbulo, 24% responderam que apenas um lado costuma ser alvo. Para Almeida, no entender desse contingente, "esse lado é o governo, que é mesmo quem tem de ser fiscalizado".

Para o sociólogo Demétrio Magnoli, é importante destacar o universo dos 69% que respondem de forma distinta. "Uma enorme maioria considera que a imprensa age com isenção. Em outros países democráticos, cerca de um terço da população questiona a imparcialidade da imprensa." Magnoli observa que todos os governos reclamam da imprensa. "No Brasil de hoje, porém, há algo mais. Há, por parte do presidente e do PT, uma campanha sistemática de que a imprensa representa a elite e que está contra o governo."

Para o sociólogo, esse discurso encontra eco na sociedade. "É provável que sejam seguidores incondicionais do presidente esses 24% que veem a imprensa como parcial."

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