A 12 dias do carnaval, violência afeta o turismo

Para os turistas na Bahia, ou mesmo comerciantes ávidos pelo início do carnaval, a greve da Polícia Militar se transformou em chateação

Felipe Frazão e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2012 | 14h01

Para os turistas na Bahia, ou mesmo comerciantes ávidos pelo início do carnaval, a greve da Polícia Militar se transformou em chateação. Sem informações oficiais, com dezenas de boatos de arrastões e cancelamentos de eventos, muitos pensam em antecipar a volta para casa, enquanto outros refazem as expectativas em um dos períodos mais lucrativos do ano. “Estou conversando com você do hotel, vendo televisão, porque o que a gente tinha planejado fazer foi cancelado”, contou o administrador de empresas Renato Calazans, de 29 anos, que viajou com a namorada a Salvador na terça-feira.

A greve da PM causou uma série de cancelamento de shows marcados para sexta, sábado e domingo – o bloco afro Ilê Aiyê, por exemplo, divulgou nota comunicando suspensão de seu tradicional ensaio “em vista dos acontecimentos que deixaram a população de Salvador em clima de insegurança total”. Outra que cancelou a apresentação foi a cantora Ivete Sangalo, que faria show ontem na Praia do Forte.

“Há uma espécie de efeito cascata. Já não há tanto táxi rodando à noite, tem menos gente na rua. A gente fica mais assustado”, diz Calazans. “Se continuar, vou voltar a São Paulo ou viajar para outra praia no Nordeste.

É justamente esse o receio dos comerciantes. “A gente já vem perdendo dinheiro nos últimos anos, isso é a última coisa de que precisávamos”, diz Carlos Andrade, dono de loja de lembranças na Rua das Laranjeiras, centro histórico de Salvador. “Várias lojas já fecharam por causa da degradação aqui, o número de turistas vem caindo. Agora, com esse monte de mortes, quem vai querer vir para a Bahia?”

Em três hotéis de luxo procurados pelo Estado, houve questionamentos por telefone de pessoas com reservas já pagas. “Estamos informando que está tudo bem e por enquanto realmente está”, diz um gerente.

No litoral sul, logo depois que a notícia da greve se espalhou pelo litoral sul da Bahia, cruzeiros de passagem pela costa de Ilhéus tiveram de alterar a rotina de passeios. O clima de insegurança mudou a programação dos visitantes. As embarcações atracaram no porto da cidade – uma das paradas previstas no Nordeste além de Maceió, Salvador, Recife –, mas a maior parte dos passageiros optou por ficar a bordo.

Os viajantes, geralmente europeus e brasileiros, deixaram de conhecer praias e cachoeiras – aonde costumavam ir tranquilamente em carreatas de ônibus fretados por operadoras de turismo, ou mesmo de táxi, acompanhados por guias locais.

A vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Maria Angela Ballalai de Carvalho, alerta que a repercussão pode ser negativa para a imagem do turismo na Bahia se a confusão continuar. “Ainda não tivemos notícia de cancelamento e não há assim tantos transtornos para o turista. Com o reforço do Exército, acho que não teremos mais problemas. A greve só vai afetar o turismo se for mais longa.”

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