A 2 dias do debate, PT expulsa 4 do dossiê Vedoin e Berzoini se licencia

Pressionado pela cúpula do PT, inclusive pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Berzoini afastou-se na sexta-feira da presidência nacional do partido, após ter sido responsabilizado indiretamente no escândalo do dossiê Vedoin - tentativa de relacionar políticos tucanos com a máfia dos sanguessugas. Outros quatro envolvidos sofreram ´expulsão política´, neologismo que revela a pressa em desligá-los do partido sem que tenham sido processados diante da Comissão de Ética. No lugar de Berzoini assume interinamente o coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia. Berzoini resistiu até o último momento a entregar o posto, mas foi convencido do contrário pela Executiva Nacional em reunião de seis horas na sede do partido, em São Paulo. Como em outros escândalos com o PT e o governo, no caso de Berzoini coube ao acusado aparecer como agente da saída - Berzoini não foi afastado, pediu licença.No caso de outros quatro envolvidos com o dossiê, o partido foi menos generoso. Foram expulsos, por decisão da Executiva: Jorge Lorenzetti, churraqueiro de Lula e ex-diretor do Banco do Estado de Santa Catarina; Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante; Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil; e Oswaldo Bargas, amigo de Lula e ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho. Na pressa em diminuir o peso do escândalo para a candidatura Lula, o PT não respeitou seus trâmites usuais. Não existe expulsão sumária no estatuto, por isso os acusados deveriam passar por processo na Comissão de Ética. Esse procedimento, no entanto, não foi observado. A solução foi improvisar uma saída que foi chamada de ´expulsão política´. Lacerda e Lorenzetti haviam apresentado pedidos de desfiliação antes da reunião; Valdebran já estava suspenso pelo PT-MT.Em carta entregue à imprensa, Berzoini diz que seu licenciamento durará o prazo necessário ´para o completo esclarecimento dos fatos´. Ele é acusado de ter conhecimento de que os outros envolvidos estavam negociando com a família Vedoin pagamento em troca de material contra tucanos e também sua veiculação na imprensa. Berzoini negou envolvimento. ´Reafirmo que jamais incentivei, determinei ou concordei com nenhuma forma de ilegalidade ou irregularidade nos assuntos que estiveram sob minha responsabilidade´, disse.No PT, é dado como certo que Berzoini não volta mais à presidência. Sinal disso foi o fato de ter ficado bastante emocionado na reunião. ´Essa posição é um risco muito grande. Não concordo, mas aceito´, disse Berzoini, com voz embargada. Antes de jogar a toalha, ele tentou adiar a decisão até segunda-feira. Em vão. Lula queria esse desfecho, embora tenha dado declarações em contrário.Garcia, já como presidente interino, não economizou afagos a Berzoini. ´Vou me ver livre desse abacaxi logo e devolvê-lo ao meu querido amigo e companheiro´. Depois Garcia explicou que não via o cargo como ´abacaxi´ - era só uma ironia.O presidente interino falou sobre o dossiê. ´A executiva repudia a atitude desses filiados, considera um equívoco substituir a disputa de projetos por esse tipo de prática, condena a promiscuidade com criminosos, bem como o total desrespeito à democracia partidária.´ No domingo, Lula participa de debate na televisão.Colaborou Vera Rosa

Agencia Estado,

07 de outubro de 2006 | 15h15

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