A 7 dias do pleito, Serra e Marina focam grandes Estados para forçar 2º turno

Com chances de vencer já no dia 3, Dilma se concentra nos dois últimos debates, enquanto rivais precisam 'roubar' votos e convencer indecisos

Julia Duailibi, Malu Delgado e Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Na reta final das eleições, os candidatos José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) aproveitarão a última semana de campanha para reforçar estratégias nos principais colégios eleitorais e calibrar o discurso para o eleitor indeciso em busca de um segundo turno. Com chances de vencer no primeiro turno, Dilma Rousseff (PT) aposta e se prepara para os dois últimos debates na TV.

Nos bastidores, o PT acredita ser possível a vitória no primeiro turno, dia 3 de outubro, mas também tem preparado dirigentes e militantes para um enfrentamento no segundo turno, se necessário. Já o comando tucano articula aumento da exposição de Serra no Rio e em São Paulo.

Diante da oscilação negativa de Dilma nas últimas pesquisas de intenção de votos, o comando político da campanha reforça a necessidade de adotar cautela na reta final e considera que os momentos decisivos serão os dois últimos debates, na TV Record hoje e especialmente o da TV Globo, o de maior audiência.

Principal cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula arrefeceu o tom do discurso contra a mídia em comício realizado em Porto Alegre na sexta-feira. Após sucessivas críticas de parcialidade da mídia e de adotar uma retórica agressiva contra a oposição, Lula destacou a importância da imprensa e afirmou que "é preciso ter humildade". Petistas avaliaram que seria um erro alimentar o confronto direto com a imprensa ao final da campanha.

"Estamos confiantes, mas sem salto alto, e vamos continuar na mesma linha de campanha", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra, coordenador da campanha de Dilma. "O que salta aos olhos é que após um mês de intenso bombardeio a Dilma não perdeu votos."

Segundo o presidente do PT, a despeito da pequena oscilação, as pesquisas deixam claro que Dilma Rousseff tem voto consolidado. O aumento da vantagem de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), afirmou Dutra, ocorreu sobretudo a partir dos votos de indecisos, e não houve perda de votos da petista.

"Nunca proclamamos vitória antecipada e nunca ficamos de salto alto. Se não for possível ganhar no primeiro turno, ganharemos no segundo", afirmou o coordenador de comunicação da campanha de Dilma, o deputado estadual Rui Falcão (PT).

O comando petista acredita que Dilma será o alvo principal dos adversários nos dois últimos debates, e que as denúncias sobre tráfico de influência na Casa Civil e violação de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB serão amplamente explorados. "A Dilma já está escolada com isso e absolutamente preparada para os debates finais", afirma Dutra.

Euforia. Após uma longa e desconfortável permanência nos arredores de 9% nas pesquisas, a coordenação da campanha de Marina Silva está eufórica com os 12% das intenções de voto obtidos na última sondagem do Ibope, feita entre os dias 21 e 23.

As pesquisas aumentaram a convicção dos seus coordenadores de campanha de que a rota está correta e será mantida.

"A onda verde que estamos verificando nos últimos dias decorre de uma estratégia que deve ser mantida", ressalta o coordenador da campanha, João Paulo Capobianco. Nesta reta final, os verdes farão a Semana do Marinaço, série de ações voltadas para ampliar a intenção de votos entre os eleitores fluminenses - no Rio Marina atingiu situação de empate técnico com Serra.

Marina deve avançar pela última semana de campanha dizendo que não quer embate, mas sim debate. Assim como Dilma, sua principal preocupação é estar bem preparada para os debates da Record e da Globo. Sabe que seu avanço nas pesquisas se deve mais à exposição no noticiário e nos debates, já que o horário eleitoral gratuito lhe reserva o diminuto espaço de 1m26s.

Capobianco reforça a importância de Marina ter se diferenciado de Serra no tratamento dos escândalos que afetaram Dilma. "Ela não quis usar nenhum escândalo de forma eleitoreira. Quando criticou o vazamento na Receita, sua principal preocupação não foi roubar votos de Dilma, mas sim para defender o Estado e suas instituições", afirma.

Agendas. Serra estará hoje e quinta-feira no Rio, segundo maior colégio eleitoral do País e onde disputa o segundo posto com Marina - o tucano tem 19% das intenções de voto, e ela 18%. Também reforçará agenda em São Paulo, colado com Geraldo Alckmin, candidato ao governo e líder das pesquisas no Estado.

Na quarta-feira, os tucanos pretendem encerrar a campanha com uma festa na Mooca. Inicialmente, pensou-se num evento no centro da cidade, mas como a campanha da adversária petista também articulava algo parecido, o PSDB resolveu fazer a festa no bairro popular onde Serra nasceu. Ainda estão previstas passagens pela Bahia e por Minas.

A agenda da petista para a última semana não foi definida. O evento já anunciado é o "último comício", amanhã, no sambódromo em São Paulo. No dia 30, Lula fará um grande comício em São Bernardo do Campo, sem Dilma.

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