A arte de encaixar um museu num postal

Arquitetos apresentam propostas para o MIS, em Copacabana

Alexandre Rodrigues e Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

Uma seleção internacional para definir o projeto arquitetônico do Museu da Imagem e do Som (MIS) na Praia de Copacabana produziu visões distintas de como um prédio pode se tornar um novo ícone para o Rio. Sete escritórios apresentaram propostas para o museu, orçado em R$ 44 milhões. Os desenhos mostram o empenho de grandes arquitetos para compor a paisagem do Rio. O MIS, que se espreme em dois prédios históricos do centro desde 1965, ganhou a promessa de uma sede com a desapropriação da boate Help e de um restaurante, na Avenida Atlântica. Numa alternativa que pode evitar desacertos como a Cidade da Música, que consumiu R$ 500 milhões num projeto do francês Christian de Portzamparc, o governo estadual definiu o orçamento e os 6 mil metros quadrados de área construída (incluindo estacionamento) num edital. O principal dilema dos concorrentes foi como aproveitar a vista privilegiada sem abrir mão do ambiente controlado para as exposições temporárias e permanentes do museu, dedicado à história cultural brasileira registrada em fotos, filmes, vídeos, discos e gravações de centenas de artistas. O acervo será organizado pela Fundação Roberto Marinho, que vai aplicar os recursos audiovisuais dos museus da Língua Portuguesa e do Futebol, em São Paulo. Os cariocas Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen pensaram nas montanhas da cidade para romper o paredão de edifícios com um conjunto do que parecem ser quatro grandes rochas. Angulosos e irregulares, os volumes se integram suavemente, explorando vazios e direcionando diferentes pontos de vista. "Ao adicionar um ícone a um ícone, tinha de ser algo sutil, mas atraente", define Thiago. O Rio povoa a imaginação do arquiteto Daniel Libeskind desde a infância na Polônia, quando ganhou de uma tia um souvenir com uma foto de Copacabana. "No cinza em que vivia, o colorido daquela imagem era uma janela para o mundo", diz ele, que propôs cores, janelas e formas irregulares. O paulistano Isay Weinfeld também quis ser reverente com o panorama, mas adotou outro caminho. Para não ver o acervo competindo com as janelas, projetou salas fechadas. Deixou o cenário externo para as passarelas, rampas e escadas. Cada um dos acessos tem forma e material diferentes. "É um projeto que prioriza a função, sem deixar de reverenciar a paisagem." Os nova-iorquinos Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio quiseram tirar do chão as formas do calçadão de Roberto Burle Marx. Projetaram uma estrutura que permite a visão da praia de todos os andares, cortados por grandes rampas, com um vão central livre no térreo, além de jardins suspensos e um terraço. "Os prédios da orla formam uma parede. Não queríamos uma muralha, mas algo poroso, aberto", descreve Diller. Já o japonês Shigeru Ban buscou motivação no "corpo das mulheres, a única coisa que pode competir com a natureza". Ele mostrou croquis do prédio recheados de desenhos de mulheres de biquíni. Trata-se de uma grande estrutura circular de madeira vazada e vidro, que encobre um prédio de oito pisos. Rodrigo Lopez e Fernando Falcon, de São Paulo, projetaram um grande paralelepípedo inclinado que forma duas ágoras sobrepostas: praças no térreo e um terraço. Projeções na lateral do prédio vizinho atrairiam pedestres e moradores do Morro do Cantagalo. "A ideia é potencializar a vida pública do bairro, não ter um museu fechado, mas vivo. E servir de mirante dessa vista, hoje reservada a quem tem apartamento ou pode pagar hotel caro", diz Lopez. Representantes do escritório Brasil Arquitetura não falaram. O vencedor será anunciado na segunda-feira.

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