A cada 15 segundos, uma mulher é agredida em SP

Uma mulher é agredida na cidade de São Paulo a cada 15 segundos, de acordo com a presidente da Comissão da Mulher Advogada da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maria Elisa Munhol. O Mapa da Violência contra a Mulher, divulgado ontem, revela que as delegacias da mulher do Estado registraram quase 123 mil casos de janeiro a maio. Na capital, foram quase 22 mil."E esses números representam um porcentual muito pequeno do que realmente acontece, porque não incluem os casos não registrados na polícia e as queixas em delegacias comuns." O levantamento aponta que foram feitas 889 prisões no período. Indica ainda que a região da capital com o maior número de agressões é Santo Amaro, cuja Delegacia de Defesa da Mulher abrange mais áreas que as outras oito - foram 4.903 casos.A região que mais registrou estupros, em números absolutos, foi a central, com 40 ocorrências. "A violência sexual pode ter sido cometida num bairro distante, mas a mulher registra no centro porque trabalha ali, tem vergonha de que as pessoas do bairro saibam, ou porque procura o Hospital Pérola Byington, que encaminha todas para cá", diz a delegada Maria Teresa Gonçalves Rosa, da 1.ª Delegacia de Defesa da Mulher, no centro.Os crimes mais praticados no Estado foram lesão corporal dolosa (30.571 casos), ameaça (30.203 casos) e calúnia/injúria/difamação (10.082). Houve 384 estupros, 100 tentativas de estupro, 7 homicídios e 50 tentativas. Em números absolutos, as cidades com mais casos foram Americana (3.619), Ribeirão Preto (2.268), Franca (2.207), Mogi das Cruzes (2.139) e Lins (2.126).Segundo Maria Elisa, a violência contra a mulher não é tratada com o rigor que merece. "99% dos agressores são apenados com o pagamento de uma cesta básica, o que gera grande sensação de impunidade. A lei prevê o cumprimento de penas alternativas para esses casos e não cesta básica." As duas destacaram a necessidade de agressores e vítimas serem encaminhados para tratamento psicológico. "São comuns casos de homens que se separam e voltam a agredir e de mulheres que se casam novamente e voltam a ser agredidas", disse a delegada.

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