REUTERS/George Frey
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A cada 60 minutos, uma criança ou adolescente morre por arma de fogo no Brasil

Tentativas de homicídio e acidentes lideram casos de internação, enquanto homicídios representam 94% das mortes

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 09h59

BRASÍLIA - No Brasil, uma criança ou adolescente morre a cada 60 minutos por ferimentos com arma de fogo. Os dados fazem parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira, 20, pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que avaliou casos entre 1997 e 2016. De acordo com o levantamento, mais de 145 mil jovens com até 19 anos morreram em consequência de disparos acidentais ou intencionais, como em casos de homicídio e suicídio.

O estudo considerou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Só em 2016, foram registrados 9.517 óbitos entre crianças e adolescentes no país. O número é praticamente o dobro do registrado há 20 anos (4.846 casos em 1997) e representa, em valores absolutos, o pico da série histórica até o momento.

Tentativas de homicídio e acidentes lideram internações

Entre 1999 e 2018, foram registradas quase 96 mil internações de jovens com até 19 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento mostra que, a cada duas horas, uma criança ou adolescente dá entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento por disparo de arma de fogo.

As principais causas externas de morte por arma de fogo nessa faixa etária estão relacionadas a homicídios (94%), seguidos de intenções indeterminadas (4%), suicídios (2%) e acidentes (1%). No caso das internações, embora as tentativas de homicídio continuem na liderança (67%), é expressivo o volume de acidentes (26%) envolvendo arma de fogo.

A avaliação contabilizou ainda as despesas diretas do SUS com pacientes atendidos após contato com armas. Nos últimos 20 anos, as internações de crianças e adolescente provocadas por disparos custaram mais de R$ 210 milhões aos cofres públicos.

O estudo considerou causas de morbidade hospitalar e mortalidade identificadas nas bases oficiais do Ministério da Saúde como acidentais, suicídios ou tentativas de suicídio, homicídios ou tentativas de homicídio e intenções indeterminadas. / Agência Brasil

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