A cidade pacata mergulha na intriga política

Entre dúvidas e boatos, Pindamonhangaba não é mais a mesma depois que a investigação sobre Paulão tomou as ruas

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Pindamonhangaba é o caos. Nestes dias em que Paulão, o cunhado do governador Geraldo Alckmin, ganhou o noticiário policial, alvo que é da promotoria criminal - e também da promotoria civil -, a cidade perdeu sua rotina de tranquilidade, cercada de dúvidas e intrigas políticas.

Na cidade de 146 mil habitantes e 103 mil eleitores, no Vale do Paraíba, o que se discute é o impacto da crise e a reviravolta que ela pode provocar nos rumos da administração municipal.

Havia uma investigação da promotoria, ato discreto, sem alardes. Dois dias depois do Natal, militares e promotores vasculharam a casa de Paulo Ribeiro, o irmão de Lu Alckmin, primeira-dama do Estado. Estavam munidos de ordem da Justiça. O caso caiu no domínio público.

Segredos do trabalho cauteloso da promotoria agora a cidade conhece. Promotores ficaram irritados com o vazamento e com a conotação política emprestada à demanda, para eles um feito a mais. Mandaram abrir inquérito policial para identificar quem deu publicidade à investigação.

A cidade quer saber o próximo passo. Apostam em prisões, mas esta é apenas uma hipótese. Aqui e ali falam até na cassação do prefeito, João Ribeiro (PPS), apadrinhado de Alckmin.

Reação. Acuado, Ribeiro tomou medidas austeras - em outubro, exonerou alguns secretários, entre eles Silvio Serrano (Finanças), suposto elo de Paulão na prefeitura. Confinado no gabinete, tem evitado pronunciamentos sobre a devassa que aponta para o primeiro escalão de seu governo. Na Câmara, vereadores aturdidos. Preferem o silêncio, quando não o anonimato. Alguns não atendem o telefone, têm medo de grampo! Até os termos da CEI, instrumento tão popular de investigação do Legislativo, são mantidos a sete chaves. "Os autos estão sob sigilo", diz o presidente da Câmara, Ricardo Piorino (PPS).

Pindamonhangaba, R$ 330 milhões é o Orçamento anual, aguarda o desfecho da investigação do Ministério Público. O cunhado pode ser enquadrado? Mas qual o seu crime? Tráfico de influência? Corrupção? E as provas? Será levado aos tribunais?

"O estrago é violento, a cidade não comenta outra coisa", avalia Francisco de Assis Vieira Filho, presidente do PSDB local e assessor executivo da CDHU em todo o Vale do Paraíba, litoral norte e rincões da Serra da Mantiqueira. Ele avalia que o prefeito "deu uma resposta à sociedade" ao demitir pessoal de confiança.

"O prefeito Ribeiro está violentamente indignado", afirma o tucano. "Anda muito preocupado, é família de tradição. Cometeu um erro primário ao confiar demasiadamente. Chega um momento em que não se pode manter na administração gente com esse perfil. Depois que a porteira arrebenta, Inês é morta."

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