''''A corda está arrebentando do lado mais fraco''''

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Pará, Maria do Perpétuo Socorro Picanço, defendeu policiais afastados em Abaetetuba. E diz que a corda está arrebentando do lado mais fraco.Como a senhora avalia a participação de policiais no caso L.?A Polícia Civil não tem responsabilidade legal sobre custódia de presos. Assim que ela foi autuada em flagrante, o fato foi comunicado à juíza titular da 3.ª Vara Criminal de Abaetetuba, que manteve o flagrante. Depois, em ofício, o superintendente regional da Polícia Civil (Fernando Cunha) comunicou que ela estava presa com outros presos. Mesmo assim, nenhuma providência foi tomada. Nem pela juíza nem pelo Ministério Público.As delegacias estão superlotadas. O que pode ser feito?Isso vem de muitos anos. Há locais no interior do Pará onde familiares têm de levar comida para os presos.Por que não se arruma lugar para as mulheres?Não há definição sobre o que policiais teriam de fazer quando uma mulher é presa. Se a responsabilidade é da Justiça e do sistema penal, deveria existir situação predeterminada para levar a presa a determinado local. E o afastamento de delegados? Foi uma precipitação. Acho um cinismo das autoridades. Temos de fazer mea culpa e chamar à responsabilidade todos aqueles que, por ação ou omissão, contribuíram para essa situação. Obviamente, a corda está arrebentando do lado mais fraco, que é justamente o do delegado de polícia.

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