A corrupção não impede a cidadania, diz Gilberto Gil

"A corrupção não impede a cidadania". A avaliação é do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que, nesta terça-feira, em uma conferência de imprensa para jornalistas estrangeiros na Suíça, foi pressionado a dar uma resposta sobre a capacidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manter na liderança nas pesquisas para as eleições enquanto os escândalos de corrupção continuam a aparecer. "É o mistério da vida", justificou Gil em francês, para o espanto da imprensa internacional."A corrupção não é um problema para o cidadão. A corrupção faz parte da dimensão humana", afirmou o ministro, que está em Genebra participando de uma conferência sobre propriedade intelectual. Na segunda-feira, já havia declarado que a corrupção, "ainda que condenada, era tolerada" no País, fator que explicaria a popularidade ainda do presidente Lula.Jornalistas suíços ainda perguntaram ao ministro Gilberto Gil se ele acreditava que Lula tinha conhecimento dos atos suspeitos de seus assessores e de seu chefe de campanha, Ricardo Berzoini. "Por que você quer saber minha opinião? Minha opinião é secundária. Se o presidente Lula sabia de algo, ele mesmo precisa responder. As investigações foram abertas. Minha opinião pessoal não importa. Esse é um caso político e que diz respeito à República", afirmou.Gil ainda tentou justificar os escândalos à imprensa estrangeira alegando que o fenômeno é "universal". "Não é só um problema do Homem-Brasil", disse.Os jornalistas estrangeiros, principalmente os suíços, saíram da coletiva de imprensa sem entender como o ministro pôde justificar dessa forma os escândalos de corrupção. "Foi impressionante", afirmou um jornalista da editoria internacional de um jornal de Genebra.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2006 | 16h03

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