À CPI, chefe do Cenipa diz que Congonhas preocupa desde 2006

Jorge Kersul Filho afirma, em depoimento a deputados, que a segurança do aeroporto já preocupava

Milton F. da Rocha Filho, da Agência Estado,

26 Julho 2007 | 13h05

O chefe do Centro de Investigação e Previsão de Acidentes Aeronáuticos, brigadeiro Jorge Kersul Filho, revelou que a preocupação com a segurança na operação do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, vem desde o final de 2006. Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo na Câmara, Kersul contou que no dia 28 de dezembro houve uma reunião sobre o assunto reunindo todas as autoridades aeronáuticas.    Acompanhe ao vivo o depoimento de Kersul à CPI    Karsul afirmou que a maior preocupação foi a formação de poças de água, devido as chuvas na pista de Congonhas. Naquela reunião, ficou determinado que se deveria medir a água que ficava sobre a pista, para poder determinar o fechamento ou não da operação na pista.   O chefe do Cenipa contou que naquela reunião ficou decidido que a pista principal deveria ser reformada, mas antes disso, se usaria o método de mensuração da lamina de água sobre a pista, medida que passou a ser adotada.   Caixa-preta   O depoimento de Kersul foi requerido depois que ele declarou que a entrega dos dados da caixa-preta à CPI poderia comprometer as investigações do acidente. À CPI, Kersul defendeu o sigilo dos dados e das investigações. O brigadeiro afirmou que as caixas-pretas dos aviões foram criadas para prevenir acidentes e não para identificar culpados ou responsáveis. Ele disse, no entanto, que é preciso definir em que casos os dados gravados durante os vôos podem ser utilizados, e pediu que os envolvidos nas investigações não revelem dados.     A autorização para o uso de informações da caixa-preta em investigações policiais pode levar comandantes a se negar a voar em aeronaves que gravem tudo e que possam produzir provas contra eles mesmos. O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), informou que a CPI deverá propor a regulamentação do uso desses dados. Maia disse que o Cenipa e a Aeronáutica deverão participar dessa discussão, mas considera que as caixas-pretas devem ajudar a encontrar responsáveis pelos acidentes.   Kersul considerou irresponsável dar algum fator como responsável sobre o acidente do Air Bus, "e não é adequado dizer agora qualquer coisa". O deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da CPI da Crise Aérea, perguntou se ele havia recebido alguma informação da degravação das caixas pretas. Ele disse que foi recebida apenas a informação de que "o avião desceu com velocidade de 175 km/h. Só vou saber quando os técnicos que estavam nos Estados Unidos trouxerem mais dados".   O chefe do Cenipa explicou aos deputados que uma análise completa sobre a queda do avião deve demorar neste caso 10 meses, o prazo a que ele se impôs, mas que a média internacional é de 18 meses. O avião da Gol, que caiu na Amazônia, pode demorar 12 meses, informou o brigadeiro Kersul, que defendeu a não revelação dos dados, se seguindo um tratado internacional, conhecido como tratado de Chicago, em que não se divulga dados da caixa preta de aviões que sofreram desastres.   Segurança   Em seu depoimento, Kersul disse que "o avião é um meio de transporte seguro". A afirmação foi feita após chamar a atenção para a questão de médias de acidentes, no qual o brigadeiro disse que "falar sobre médias são coisas perigosas. Não se pode falar sobre médias de acidentes, aleatoriamente, nós tivemos a infelicidade de ter sofrido dois acidentes próximos, mas nós vivemos um bom período sem acidentes".   Questionado se os pilotos do avião da Pantanal, que derrapou na pista de Congonhas dias antes do acidente com o vôo 3054 da TAM, já haviam sido ouvidos, Kersul disse que no dia 19 de julho foi realizada a primeira entrevista com eles, e que o comandante, o co-piloto e a chefe das comissárias serão ouvidos, nesta quinta, no inquérito aberto para se saber porque o aparelho derrapou em Congonhas.  

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