''A crueldade atingiu magnitude sem precedentes''

Luiz Eduardo Soares: ex-secretário nacional de Segurança Pública; para secretário de Nova Iguaçu, há saídas viáveis do crime, mas existe uma série de estímulos paralelos a combater

Entrevista com

, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2008 | 00h00

À frente da Secretaria Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Luiz Eduardo Soares enfrenta o desafio de colocar em prática alternativas para uma região onde o crime é dividido entre o tráfico e as milícias. Autor de livros como Meu Casaco de General: 500 dias no front da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e Cabeça de Porco, com o rapper MV Bill e Celso Athayde, é crítico feroz da política de segurança pública empregada pelo governo do Rio.A saída de jovens do tráfico está mais comum hoje?Algumas características vêm mudando. O grau de crueldade envolvido nesse problema atingiu uma magnitude sem precedentes, são muito mais jovens os que estão envolvidos. Temos uma degradação das instituições policiais muito severa, mas temos também uma oferta maior de alternativas de ações de iniciativa da sociedade civil. Há saídas viáveis, mas é difícil saber se um número maior de jovens está saindo. As ações de repressão fizeram os ganhos com o tráfico de drogas diminuírem?Há muito tempo se diz isso, mas o mercado continua fluindo e sabemos que a polícia deixou de ser corruptível para se tornar cúmplice, sócia maior e protagonista desse negócio. Então, temos uma série de estímulos paralelos.Qual a importância da formação em uma rede social de apoio?Existem duas dimensões, sendo uma objetiva, que é o acesso ao mercado e a recursos básicos. A outra é subjetiva, mas não menos importante. Muito freqüentemente os processos de saída se dão por uma oferta de alternativas de sustento que garantem a sobrevivência, mas o gatilho para isso é a valorização pessoal, o reconhecimento. Se há um processo de identificação com o projeto ou personagens como o MV Bill, Nós do Morro, AfroReggae ou Observatório de Favelas, que encarnam os mesmo valores do jovem, mas associados à cultura de paz, aí existe uma possibilidade de se fazer o jovem encontrar outra maneira de se valorizar que não seja só pela violência.Quem é:Luiz Eduardo SoaresÉ antropólogo, tem pós-doutorado em Filosofia Política e é professor da Uerj É ex-secretário nacional de Segurança Pública e coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado do Rio Atualmente é secretário municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu

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