Alex Silva/Estadão
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A dura retomada ao trabalho presencial das famílias com filhos

Mães chegam a pedir demissão para cuidar das crianças; famílias também procuram ajuda de parentes

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 16h51

Voltar ao trabalho presencial com as escolas e creches ainda fechadas virou um dilema para quem tem filhos. A situação fica mais complicada porque, com a pandemia do novo coronavírus, não é possível contar com aquela ajuda salvadora dos avós, grupo de risco para a covid-19

As soluções, algumas vezes, estão longe do ideal e são difíceis. É o caso das mães que pedem demissão para ficar com as crianças ou que precisam pedir ajuda para os parentes mais próximos.

Há cerca de um mês, Marina Melo, de 31 anos, teve de deixar o emprego de auxiliar de departamento pessoal depois que soube que precisaria voltar ao escritório, em Caraguatatuba, litoral paulista. “Fui lá, conversei. Perguntaram se tinha opção. Mas não tenho. Fiquei chateada. Senti que estava abrindo mão de novo do meu futuro.”

Marina é mãe de Maria Júlia, de 11, Henrique, de 5, e Maria Vitória, de quase 2. Antes da quarentena, os mais velhos se dividiam entre escola e babá, enquanto a caçula ficava na creche. “Não tenho como pagar alguém para estar com os três em tempo integral.” Ela pede que se tenha mais empatia por quem está passando pelo problema.

“Achavam que eu estava sendo privilegiada (ao fazer home office por mais tempo). É uma situação atípica. Precisamos pensar no outro.” 

Martha Pereira dos Santos, de 38 anos, também precisou pedir demissão do emprego por causa da pandemia. “Acho difícil dizer que alguém não está tendo dificuldade. Para quem tem filho, é complicado.” 

Moradora de Guarulhos, na Grande São Paulo, ela ainda estava em período de experiência quando a quarentena começou. E avaliou que não conseguiria continuar as atividades com seus filhos, de 12 e 2 anos, fora da escola e da creche. “Estava tudo dando certo. De repente, parou”, relata. “Já falei para o meu marido: este ano será praticamente perdido.”

Famílias fazem adaptações e procuram ajuda de parentes

Há, ainda, as famílias que estão fazendo adaptações. Os advogados Marcelo Escobar, de 43, e Laura Barros, de 41, flexibilizaram as agendas para ficar com Dora, de 5, e Bento, de 1 ano e meio. “A gente precisa fazer uma ginástica enorme. Às vezes temos compromisso no mesmo horário”, conta Escobar. 

Ele está preocupado com a reabertura. “Não tem a menor condição. A minha mãe é grupo de risco ao cubo. Os pais da minha esposa são a mesma história.”

Já a fisioterapeuta Juliana Albano, de 32 anos, voltou a atender na sua clínica há cerca de três semanas. Enquanto trabalha de manhã, os filhos Raphael, de 2 anos, e Gustavo, de 9 anos, ficam com a sobrinha adolescente Nicolly, de 15 anos, que passou a residir com eles nos dias úteis. “Esse ir e vir é complicado. Por isso, ela fica lá em casa a semana toda. É uma companhia para os meninos. Comida e essas coisas eu faço.”

Agência de babás tem aumento de procura

Além do suporte de parentes, alguns buscam ajuda profissional. Dona de uma agência de babás e domésticas na capital, Ana Paula Reismann diz que muita gente voltou a procurar o serviço em junho. “A família imagina ser mais seguro uma pessoa entrando em casa do que mandar filho para escola, onde vai ficar exposto a funcionários e outras crianças”, justifica. 

Ana Paula explica que a procura não é para vagas temporárias. “Maior parte dos pais (que procuram a agência) vão voltar a colocar na escola no ano que vem.”

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