A elite da elite da Força Nacional de Segurança

Com o auxílio de instrutores de EUA, Colômbia e Israel, União treina tropa para situações extremas nas cidades

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

05 de julho de 2008 | 00h00

Com a promessa de auxílio de pelo menos três países - Estados Unidos, Israel e Colômbia - para montar um treinamento de alto nível, o Ministério da Justiça começou a recrutar em 11 Estados os primeiros 550 integrantes de um núcleo policial especial para atuação de emergência em qualquer ponto do País. Trata-se do recém-criado Batalhão Especial de Pronto Emprego (Bepe), a elite da elite da Força Nacional de Segurança (FNS). O grupo vai ficar aquartelado em Brasília para responder com rapidez a situações extremas, a pedido dos Estados, em substituição ao emprego das Forças Armadas.Sem contar as equipes de Israel e do FBI, o destaque é um grupo de instrutores da Colômbia, cujas forças de segurança ganharam projeção no cenário internacional pelo êxito no combate ao crime organizado urbano e à narcoguerrilha das Farc. Israel mandará uma equipe treinada em ações antiexplosivos, dissolução de motins e enfrentamento de terrorismo."O Bepe será um grupo preparado para o uso da força, mas com ética nos procedimentos e respeito aos direitos humanos", explicou o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, responsável pela montagem do batalhão. O governo de Goiás, um dos Estados incluídos no programa, cedeu uma base física em Luziânia, a 50 quilômetros de Brasília, para o batalhão. Para a primeira turma enviam policiais Amazonas, Bahia, Pará, Goiás, Maranhão, Minas, Paraíba, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.Segundo o secretário, estão previstos R$ 27 milhões do orçamento do Ministério da Justiça para executar o projeto, com a compra de equipamentos e adaptação da estrutura física do batalhão. Haverá até uma cidade cenográfica, a ser montada num sítio doado pelo governo goiano, para simulação de ações com alvos móveis.Criada para ajudar Estados em situação de grave perturbação da ordem, a Força Nacional é integrada por 7,8 mil policiais militares e bombeiros, mas há dificuldade em mobilizá-los. Selecionados entre os melhores dos Estados, os policiais do Bepe ficarão aquartelados e em treino por um ano. Depois desse período, serão substituídos por outros e retornarão aos Estados de origem com viaturas e equipamentos do treinamento - para replicar os conhecimentos nas tropas locais.O Bepe atuará também em ações específicas, como a defesa de áreas da União. Uma equipe com 50 a 100 homens vai combater crimes ambientais. Outra equipe com cerca de 50 homens será treinada para proteção e defesa dos direitos humanos para proteger, por exemplo, religiosos da Pastoral da Terra ameaçados de morte no Pará.Apesar do preparo técnico e físico, a tropa terá orientação pacifista. Pedagogo e ex-presidente da Anistia Internacional, Balestreri é um dos pioneiros na introdução dos direitos humanos na polícia brasileira, criticada na comunidade internacional pela truculência. "Como fazem as polícias mais civilizadas, vamos combinar o alto emprego da força com o respeito aos direitos humanos."

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