A exclusão de José Serra

É claro que a exclusão do ex-governador José Serra da propaganda política do PSDB que foi ao ar nos últimos dias está vinculada à disputa interna pela candidatura do partido em 2014. E ocorre, não por acaso, no momento que o senador Aécio Neves (MG) torna mais ostensiva sua pretensão de ser ungido candidato dos tucanos.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h05

Com sete anos de mandato pela frente, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) não fez a reclamação pública pela exclusão por incômodo pessoal. Canalizou um protesto do próprio Serra, ainda que este possa não tê-lo encomendado. Importa aqui a reafirmação de que Serra se mantém decidido a nova candidatura presidencial.

Se optasse pela prefeitura, como gostariam Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, o ex-governador estaria fora da disputa em 2014. Nessa hipótese, seria difícil renunciar novamente a um cargo para o qual fora eleito e arriscar a presidência. Já seria um candidato sob tal suspeita.

Com as prévias do PSDB aprovadas, fica também mais difícil o caminho para Serra à prefeitura. Dos postulantes, estima-se que apenas Andrea Matarazzo abriria mão numa eventual e improvável revisão de planos do ex-governador.

O que se tem, portanto, é a tentativa da dobradinha Alckmin/Aécio de dar o xeque-mate em José Serra na disputa pelo comando do PSDB. Que tem outra face, mais histórica, por ora convenientemente congelada pelos dois líderes tucanos, que é a luta pela hegemonia do partido entre Minas e São Paulo, com origem na própria criação do PSDB.

A aliado réu tudo,

menos a caneta

De olho no tempo de televisão do PR para as eleições do ano que vem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) arquivou temporariamente qualquer pudor ético e ofereceu o comando de uma secretaria para o deputado Valdemar Costa Neto (SP). Réu no processo do mensalão, Valdemar consultou-se com o deputado Paulo Maluf (PP-SP), também réu no STF, e igualmente contemplado com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a estatal de habitação paulista. Maluf desaconselhou Valdemar a fechar o acordo. Disse ao dirigente do PR que Alckmin só entrega "o cargo e o mobiliário", não deixa nomear ninguém.

Ilustre desconhecido

Pesquisas qualitativas do PMDB mostram o que já se sabia: o maior obstáculo do deputado Gabriel Chalita à prefeitura é o desconhecimento de seu nome pela população. Por isso, novamente será protagonista dos programas do partido em dezembro. Em família

A ex-ministra do Desenvolvimento Social/Bolsa Família Márcia Lopes vai concorrer à Prefeitura de Londrina (PR) pelo PT no ano que vem. O nome dela foi confirmado depois de intensiva campanha liderada pelo primeiro escalão do governo: o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que é irmão dela, e o casal de ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.

Tudo passa...

Com a filiação ao PDT, o ex-deputado Gustavo Fruet (PR) garantiu a candidatura à Prefeitura de Curitiba, com um vice do PT, provavelmente o deputado federal Angelo Vanhoni. Como na política, a ocasião faz o perdão, segundo o deputado André Vargas, do diretório nacional do PT, é irrelevante Fruet ter sido um dos algozes do partido na CPI do mensalão: "Ele estava no papel dele", diz.

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