À frente da negociação, uma rotina insone

Tentativa de rendição esteve nas mãos de coronel Félix e capitão Giovaninni

O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2008 | 01h00

Pai de três filhos, o coronel José Eduardo Félix de Oliveira está há 32 anos na Polícia Militar, mas há apenas três meses no comando do Policiamento de Choque. Ele é responsável pelos batalhões das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Policiamento de Eventos, em dias de jogos e shows em estádios, Comando de Operações Especiais, (COE), Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e pelo Regimento de Cavalaria 9 de Julho. Em sua carreira, segundo a Assessoria de Imprensa da Polícia Militar, Félix sempre atuou na Cavalaria e é considerado um oficial de grande experiência na área de gerenciamento de crises. Félix contou ontem à tarde que durante a semana do seqüestro passou algumas noites em Santo André dando coordenadas a seus negociadores e a outros policiais especializados, entre eles o tenente-coronel e comandante do batalhão do Gate, Flávio Jari Depieri, e o capitão Adriano Giovaninni, principal negociador do caso. "Eu comando quatro batalhões e preciso supervisionar as outras ocorrências do dia", disse. "Também estive no Palácio dos Bandeirantes para conversar sobre o caso de Santo André." Policiais que trabalham com Félix disseram que ele é um muito "centrado" e que raríssimas vezes perde a paciência quando uma ocorrência não tem desfecho esperado. "Trabalhamos com risco de perda de vidas e sempre vai existir um fim trágico. Achei que nosso coronel foi muito centrado e soube agir da melhor maneira", contou um policial que pediu para não ser identificado. SIMPATIA O capitão Adriano Giovaninni, de 37 anos, praticamente não dormiu durante a semana do seqüestro. Foi ele quem tentou negociar com Lindembergue Alves, pelo celular, sua rendição. Ontem ele disse que um dos momentos mais tensos foi quando Alves, ainda pelo celular, disse que precisava desligar e que tinha "encerrado para ele". "Ele (Alves) pediu para eu ir embora dali. Ele até simpatizou comigo, mas falou que era para eu não me preocupar e ir embora. Nesse momento eu fiquei com medo de sua reação e da situação." Ainda segundo Giovaninni, durante a ocorrência, ele recebeu suporte de outros policiais militares da tropa de elite da corporação. "Tem momentos que você não consegue mais pensar, o cansaço não deixa, por isso tive suporte." O capitão sempre faz questão de dizer em suas entrevistas que não existe um negociador e sim uma "equipe de negociação". Giovaninni, em entrevista recente ao Grupo Estado, afirmou que as ocorrências com refém tem aumentado ultimamente, pois fatores como stress de trabalho, relacionamento familiar, trânsito no caminho para o trabalho e dívidas têm sido constantes. Ele disse ainda que o refém é sempre utilizado como escudo e que, na verdade, a intenção do seqüestrador é uma só: fugir. SARGENTO Antes de assumir as negociações em Santo André, o capitão contou que a ocorrência era atendida por um sargento da PM, que trabalha no 6º Batalhão daquele município. Ele foi identificado com Athos e, segundo oficiais, fez excelente trabalho. Porém, como estava havia quase dois dias sem dormir,passou a missão para Giovaninni.C.H.

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