Andre Dusek/AE
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A ''fuerza'' que vem do vizinho

Em visita oficial, presidente da Venezuela, Hugo Chávez, demonstra apoio a Antonio Palocci

Tania Monteiro e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aproveitou a visita ao Brasil ontem para recomendar "força" ao ministro Antonio Palocci. Ao ser recebido pela presidente Dilma Rousseff no Salão Nobre, do Planalto, Chávez abraçou Palocci por longo tempo. "Fuerza, fuerza", disse o venezuelano, que se apoiava em uma bengala por conta de um problema no joelho.

Chávez não subiu a rampa, ritual tradicional nas visitas oficiais de chefes de Estado. Entrou no Planalto por um elevador. Os dois presidentes ouviram os hinos do Brasil e da Venezuela, no topo da rampa. O almoço no Itamaraty também não teve a badalação das recepções oferecidas durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nem mesmo contou com o tradicional brinde público.

A visita de Chávez serviu, no entanto, para o Planalto mostrar que a crise não engessou as atividades do governo. Palocci, que não costuma participar de almoços oferecidos a presidentes de países vizinhos, estava ao lado de Dilma. A presidente e o ministro se recusaram a dar entrevista.

Após o almoço no Itamaraty e a saída de Dilma e Chávez, Palocci mandou assessores mobilizarem seguranças do Planalto para não ser abordado pela imprensa na saída privativa do prédio. Os seguranças, no entanto, deixaram o local assim que Dilma saiu. O ministro orientou o motorista a mudar de portaria. Depois de tentar sair por outras três portarias, acabou conseguindo despistar a imprensa e saiu por uma porta do prédio anexo.

Durante a visita, Dilma e Chávez fecharam acordo em que o BNDES emprestará US$ 637 milhões para a PDVSA construir um estaleiro em Sucre. A empresa brasileira Braskem, controlada pela Odebrecht e pela Petrobrás, reafirmou a disposição de fazer parceria com a PDVSA para construir usinas de resina na Venezuela, projeto que chegou a ser anunciado no governo Lula.

Em declaração conjunta, Dilma defendeu a integração e cooperação harmoniosa dos países latino-americanos, respeitando os direitos humanos. "O Brasil sempre estará lutando pela integração dos nossos países, por uma harmoniosa cooperação e um modelo de desenvolvimento, sempre respeitando os direitos humanos", disse.

Chávez, por sua vez, enfatizou o trabalho dos dois países na erradicação da miséria. Para ele, Dilma consolida um modelo de cooperação econômica e social iniciado por Lula, cujos oito anos de mandato, afirmou, foram "maravilhosos".

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