Imagem cedida por Elaine de Castro
Imagem cedida por Elaine de Castro

‘A gente está sem chão’, diz tia de jovem baleado na zona norte do Rio

Matheus Melo de Castro foi atingido depois de sair da igreja e levar a namorada para casa; família acredita que os disparos foram dados por policiais

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 03h25

SÃO PAULO - Matheus Castro, de 23 anos, era técnico em segurança do trabalho, tinha uma namorada com quem planejava se casar no próximo ano, pregava para jovens de uma igreja evangélica que frequentava desde criança e era professor de um grupo infantil no mesmo espaço. Na noite dessa segunda-feira, 12, ele viu a namorada e os jovens da igreja pela última vez. Castro foi baleado e morto na Avenida Dom Hélder Câmara, zona norte do Rio, pouco depois das 22 horas. Segundo familiares, os disparos foram dados por policiais. A assessoria da UPP da região afirma que não houve confronto nem tiroteio na área no momento em que Castro foi atingido.

Primogênito, com uma irmã, Matheus tinha ido até a Igreja Evangélica Missão e Fé, em Manguinhos, dirigir um culto de jovens. Ao sair de lá, foi deixar a namorada em casa, de moto, no Jacarezinho. Quando voltava para casa, deparou-se com um carro da polícia na entrada da comunidade que, segundo a família, “já veio dando tiro”.

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“Costuma ter carro de polícia passando pela região. Esse carro, quando passou, viu ele (sic), atirou e foi embora, não deu socorro. Não parou, não pediu documentos, não teve nada, simplesmente meteram tiro e foram embora”, conta Elaine de Castro, tia de Matheus. Ela afirma que conversou com pessoas que presenciaram o ocorrido e confirmaram as informações.

O jovem foi atingido por dois tiros, um no braço e outro no tórax. Elaine diz que ele foi socorrido por “viciados” da região e levado em uma burrinha (espécie de carrinho de mão) para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos. Ela só soube do que aconteceu com o sobrinho porque uma pessoa que acompanhava a prima dela na unidade viu Matheus chegar ao local e foi avisá-la. Nos bolsos do jovem, os médicos encontraram convites para um evento que ocorrerá em maio na igreja. 

Segundo Elaine, a família está em choque com a morte de Matheus. “O pai está muito mal e a mãe está à base de remédios.” Descrito como um jovem “carinhoso, dedicado à obra de Deus”, ele era fiscal de meio ambiente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e planejava noivar em outubro para se casar no próximo ano. “A gente está sem chão”, diz a tia.

Logo depois da morte do jovem, a família procurou uma delegacia de polícia da região, onde informaram que a Delegacia de Homicídios ficaria encarregada da investigação e solicitaria imagens de câmeras de segurança localizadas perto da ação.

Elaine conta que, ao procurar a polícia, souberam que não houve tiroteio no momento em que Matheus foi baleado. A assessoria da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) confirmou a informação e disse que, depois do ocorrido, um ônibus foi incendiado na Avenida dos Democráticos e a base da UPP foi atacada a tiros por criminosos. Nessa ocasião, houve confronto e não há informação de feridos. Não foi informado se os casos têm relação com a morte do jovem.

 

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