A grandeza dos baixinhos

Eles são chamados de tampinha, pintor de rodapé, segurança de baile infantil, piloto de autorama e chaveirinhos, mas desde a invenção da pólvora os baixinhos se valorizaram muito - principalmente os que atiravam bem. Mas os melhores perfumes - e os piores venenos - continuam nos menores frascos.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2011 | 00h00

Napoleão Bonaparte é o grande patrono dos baixinhos, e dominou o mundo do alto do seu 1,62m. Em compensação, o maior pacifista da História, além de baixinho, era magrinho e fraquinho, mas Gandhi ganhou as suas guerras sem dar um tiro. Com 1,62m o pintor de rodapé Pablo Picasso fundou a arte moderna e mudou a nossa maneira de ver o mundo.

A fábrica de ilusões do cinema, com seus truques e efeitos, é um ambiente muito favorável a tampinhas como Charles Chaplin, o primeiro a se tornar um gigante das telas com o humor e o romantismo do seu Carlitos. Grandes astros do cinema, criadores de personagens colossais - como Al Pacino e Dustin Hoffman -, não chegam a 1,67. Nesse time sub 1,70 também entra o segurança de baile infantil Joe Pesci - principalmente com um taco de beisebol na mão. E não vá bulir com aquele tiozinho de 1,62 porque Jean Claude Van Damme é um chaveirinho enfezado que não leva desaforo pra casa. Mas não é só em frente às câmeras que eles crescem. Diretores gigantescos como Woody Allen, Martin Scorsese, Steven Spielberg e Spike Lee, que dirigem as maiores estrelas, também não passam de 1,67m, mas sua imaginação e poder não têm limites.

Ao contrário da NBA, a música favorece os baixinhos. Compositores geniais como Cole Porter e o poetinha Vinicius de Morais, e grandes vozes como Paul Simon, Freddie Mercury, Prince, Bono e Djavan atingiram as alturas da glória.

Na bola, reinam "o" baixinho Romário, com seu talento, sua marra e seus 1,67, o genial tampinha Maradona, que é ainda menor, e o maior craque da atualidade, Lionel Messi, 1,65. Eles são o terror dos zagueirões do mundo inteiro.

Assim como os feiosos tentam equilibrar o jogo com simpatia e inteligência, os baixinhos têm que se esforçar mais para provar que não é o tamanho que conta - mas o que se faz com ele.

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