'A idolatria só mudou de plataforma, mas o hábito é o mesmo'

Luciana Correa, coordenadora da área de pesquisa sobre Famílias e Tecnologia do ESPM Media Lab, explica fenômeno dos youtubers mirins

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2016 | 03h00

1. Como explicar o fenômeno dos youtubers mirins?

A criança nativa digital, um conceito de 2001, nessa onda de YouTube pega o reflexo do que acontece com os youtubers teens, como Kéfera e Christian Figueiredo, os mais populares entre os adolescentes, como se fosse uma segunda leva dos influenciadores. As crianças fazem parte dessa segunda onda. Essa criança nativa digital não faz distinção entre o online o off-line. Para ela, é tudo online e off-line, não há diferença. Elas fazem e postam vídeos com facilidade porque não veem riscos. A brincadeira antiga de imitar uma figura famosa se repete. Eu fazia isso, você fazia isso, cada um na sua geração. Só que agora a criança está brincando de fazer vídeo. Isso acaba se veiculando a partir de um influenciador adulto ou um pouco mais velho que a criança. O mais novo imita o mais velho. A idolatria só mudou de plataforma, mas o hábito é o mesmo.

2. Quais são os tipos de vídeos mais produzidos e consumidos no YouTube? 

Os canais podem ser divididos em sete categorias. Há os de Minecraft (jogo eletrônico que permite a construção usando blocos), que são aqueles voltados para o público de games. Tem aqueles canais de conteúdo da televisão que se reflete no YouTube, que é a categoria conteúdos de TV. Tem conteúdo, como a Galinha Pintadinha, que tem linguagem de desenho animado, mas não foi exibido na TV. Há o unboxing, vídeos em que as crianças tiram brinquedos da caixa e avaliam. Tem ainda as categorias do youtuber teen, dos mirins e da educação com apelo para entretenimento. 

3. Com o boom das redes sociais entre crianças, a legislação garantidora de direitos precisa ser repensada ou é suficiente para regular a atividade?

É hora de se pensar o modelo todo de novo, de se pensar as regras em relação à publicidade infantil. Canais de TV precisam de publicidade para sobreviver, mas também produzem conteúdo com qualidade, que o YouTube não produz. A qualidade de conteúdo não se compara, mas por outro lado o que se vê é o comportamento de uma geração específica que está no YouTube. A gestão da publicidade infantil e de usar um youtuber precisa ser ainda muito discutida e dialogada. É uma questão delicada usar criança para fazer publicidade. No mundo digital, isso precisa ter o mesmo peso que tem quando se faz um anúncio publicitário com criança na TV.

 

 

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