A Igreja do Largo de São Francisco na cor do séc. 17

1.ª fase de restauro refaz iluminação e ainda automatiza campanário

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

Após dois anos de restauração, história e modernidade se encontraram na Igreja São Francisco de Assis. O templo no Largo de São Francisco, centro de São Paulo, erguido no século 17, é um dos mais antigos da cidade. Em sintonia com a tecnologia, os três sinos (de 1776, de 1874 e outro do começo do século 20) voltaram a badalar, com horários previamente programados, em um campanário automatizado que dispensa o sacristão de puxar as tradicionais cordinhas. Lá do passado, restauradores descobriram desenhos neoclássicos do século 19, sob oito camadas de tinta.Para comemorar a conclusão da primeira etapa de restauro da igreja, uma missa de ação de graças será celebrada amanhã às 17 horas. Nessa primeira fase, a fachada do templo recebeu tinta nova nas cores originais - amarelo e azul - e ganhou nova iluminação. Imagens de santos foram recuperadas do estrago causado por cupins.O teto da nave principal, de madeira e com pinturas de 1780, também estava corroído. "Estava em estado deplorável. Só havia uma casquinha com as pinturas", diz o guardião prior dos franciscanos, frei Anacleto Luiz Gapski. As pinturas, de estilo neoclássico, estavam contornadas por um tom de azul. Durante o processo, os restauradores descobriram que o tom original era, na verdade, amarelo ocre.Os desenhos em estilo neoclássico de 1870, escondidos sob oito camadas de tinta azul celeste do teto, em outra parte da nave, são a surpresa. "O teto já havia sido pintado de azul, mas, por curiosidade, resolvemos ver se realmente não havia nada. Foi quando descobrimos os desenhos", diz a restauradora Tatiana Domingues. "A limpeza foi bastante trabalhosa. Foi preciso usar removedor de tinta e um bisturi para retirar camadas de tinta. É um trabalho quase cirúrgico." A primeira fase custou R$ 2,7 milhões e a maior parte - R$ 2,4 milhões - contou com o patrocínio do Banco Nossa Caixa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O restante foi doado por um empresário. O frei Anacleto diz que as duas próximas etapas consumirão cerca de R$ 2,5 milhões cada uma.A segunda parte vai recuperar a escada que desce na direção da entrada da igreja e o espaço no andar superior, onde ficavam o coro e as estalas, utilizados pelos frades. Na terceira etapa, estão previstas obras de restauro do convento e do paredão da Rua Riachuelo. Missa de reinauguração: Igreja de São Francisco de Assis, no Largo de São Francisco n.º 133, amanhã às 17 horas

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