A justa reparação possível

Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Guilherme de Sá Meneghin, 34 anos

Roberta Jansen, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h00

MARIANA - Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Guilherme de Sá Meneghin, de 34 anos, cita “A República”, de Platão: “Justiça é o que convém ao mais forte.”

Disposto a não deixar que a máxima se repetisse no caso do rompimento da barragem de Mariana, o promotor foi um dos primeiros, ainda no dia da tragédia, a correr para garantir os direitos mínimos dos moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira, vilarejos completamente destruídos pela lama.

Foi Meneghin quem, já em novembro de 2015, logo após a tragédia, conseguiu bloquear judicialmente R$ 300 milhões das contas da Samarco para o pagamento de futuras indenizações às vítimas. Foi ele também quem inicialmente garantiu a entrega de um cartão de alimentação para os atingidos.

“Na minha visão, um dos atos mais covardes cometidos pela Samarco foi a suspensão da entrega dos cartões quando, momentaneamente, foi definido que não tínhamos mais competência sobre este tema”, afirma.

Por fim, ele garantiu que a Fundação Renova – criada pela Samarco para tratar da reparação da tragédia – fosse obrigada a arcar com os custos da contratação de uma equipe de especialistas para assessorar os atingidos nas complexas negociações sobre engenharia de barragens, indenizações e reassentamento.

“A tragédia não aconteceu apenas no dia 5 de novembro de 2015”, diz ele. “Ela continua acontecendo. Há uma perpetuação diária da violação dos direitos dessas pessoas sobretudo na forma como a empresa as trata.”

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