''A lei é boa se pega o Maluf''

Deputado do PP e candidato à reeleição

FAUSTO MACEDO e BRUNO TAVARES, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Paulo Maluf, do PP, diz que não aceita a pecha de ficha-suja que a Justiça colou em sua imagem - por 4 votos a 2 o Tribunal Regional Eleitoral barrou a aspiração política de reeleição do ex-prefeito por causa do escândalo da compra de frango congelado, da época em que administrou São Paulo (1993-1996).

"A lei é boa se pega o Maluf, mas não é boa senão pega o Maluf", ele argumenta. "Nunca fiz o mal a ninguém, não entendo esse justiçamento de crucificação sem causa."

O negócio do frango, ponto central da demanda, foi investigado pelo Ministério Público Estadual. A promotoria apontou superfaturamento e danos ao Tesouro municipal.

Ele foi absolvido na primeira instância judicial, mas seus acusadores recorreram. No Tribunal de Justiça Maluf perde por 2 a 1, mas o revés não é definitivo porque os bacharéis que o defendem ingressaram com embargos infringentes - recurso que tem efeito suspensivo.

Na última quinta-feira Maluf seguiu em campanha. Fez carreata em Taboão da Serra. Antes falou ao Estado sobre a decisão do TRE contra a qual Ricardo Tosto, que coordena sua defesa, vai apelar ao Tribunal Superior Eleitoral.

O 4 a 2 que o TRE lhe impôs carimba o sr. como ficha-suja?

Eu não concordo porque o julgamento do TRE não teve base legal nem jurídica, foi amparado num fato que não é verdadeiro. O processo do frango está sob embargos infringentes que têm efeito suspensivo. Não estou condenado, meu julgamento não acabou.

O sr. virou garoto propaganda da Lei da Ficha Limpa?

Querem me transformar no símbolo da lei. Legal é cassar o Maluf. Tive dois votos a meu favor, dois magistrados eleitorais decidiram que eu não poderia ser enquadrado na ficha limpa porque não tenho condenação. O que foi julgado é o clamor por essa lei. Um (juiz) gostava do Maluf, outro não gostava. Quiseram cassar sem base jurídica o direito democrático do Maluf nas urnas. Fora das motivações emocionais Brasília vai corrigir essa injustiça flagrante.

Mas e a acusação no caso do frango?

Meu julgamento não terminou, eu não estou condenado. Laudo de perito judicial atesta lucro para a Prefeitura.

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