Rhuana Lopes Rodrigues
Rhuana Lopes Rodrigues

'A médica omitiu socorro', diz motorista de ambulância

A profissional já tinha agredido uma paciente em 2011, que havia pedido para ser submetida a uma tomografia

Lucas Gayoso, especial para o Estado

09 de junho de 2017 | 12h57
Atualizado 09 de junho de 2017 | 14h42

RIO - A equipe da ambulância da empresa Cuidar, que transportava a médica Haydee Marques da Silva, de 59 anos, acusada de negar atendimento a uma criança de 1 ano e seis meses, discutiu com a profissional de saúde para que ela socorresse a criança, contou o motorista do veículo Robson de Almeida Oliveira, de 50 anos. Ele prestou depoimento à polícia nesta sexta-feira, 9.

A médica pode responder por homicídio culposo, em que não há intenção de matar. O bebê Breno Rodrigues Duarte da Silva morreu uma hora e meia depois de a ambulância ir embora.

"Quando chegamos à portaria do prédio, e ela soube da idade do paciente, disse que se recusaria a atender. Eu achei um absurdo e tentei convencer a socorrer a criança. Mas ela começou a surtar dentro da ambulância, a gritar, botou o dedo na minha cara e rasgou o bilhete de atendimento. Achei um absurdo uma pessoa estudada fazer isso. A responsabilidade é só dela, e não do resto da equipe. Ela omitiu socorro", disse Oliveira. 

De acordo com o motorista, a médica estava no início do plantão, e não no fim do expediente, como foi divulgado inicialmente. Ele esteve na manhã desta sexta-feira, 9, na 16ª Delegacia de Polícia, onde prestou depoimento.

Desespero

Já a enfermeira Marta Campelo, de 26 anos, que cuidava de Breno em casa, afirmou que a família do menino entrou em desespero após saber que a crianca teve o socorro negado.  Com falta de ar, Breno se debatia enquanto esperava um atendimento.

"Fizemos todos os procedimentos, mas ele só poderia sair de lá numa ambulância. Não podia se desconectar do balão de ar. Quando o outro atendimento chegou, o menino já estava apagado", declarou. "É uma sensação horrível,  de impotência. Tenho dois filhos e me coloquei no lugar da mãe. Espero que ela (médica) pague por omissão de socorro."

Agressão em 2011

A médica Haydee Marques da Silva ainda não foi encontrada pela polícia. De acordo com a delegada Isabelle Conti, a médica havia sido acusado de agredir paciente, em 2011, que havia pedido para ser submetida à tomografia. 

"A paciente se exaltou e a médica, indignada, chegou a arranhar a vítima. Isso foi em uma unidade de saúde no bairro de Todos os Santos, na zona norte do Rio. O caso foi para o Ministério Público e foi oferecido a ela uma transação penal, ou seja, uma pena alternativa. No entanto, ela não cumpriu as medidas impostas pela transação penal. O processo prescreveu pelo tempo decorrido", contou a delegada.

Ainda nesta sexta-feira prestarão depoimento o porteiro do edifício e uma técnica de enfermagem. 

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