A nova onda em SP: feiras para trocar livros

Mania em outros países, elas serão realizadas em 3 parques da cidade

Humberto Maia Junior e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

Até o começo do próximo mês, o paulistano terá espaço garantido para trocar livros e experiências literárias com outros leitores. Três feiras especiais, organizadas pela Secretaria Municipal da Cultura, oferecerão, além das tradicionais palestras de escritores e narrações de histórias, a oportunidade que os fãs de livros esperavam e que já virou mania em outros lugares do mundo. No domingo, o evento será no Parque do Carmo; no dia 25, no Parque da Luz; e, em 2 de dezembro, é a vez do Ibirapuera.A idéia é que as feiras funcionem como ponto de encontro para que as trocas aconteçam sem intermediários, ou seja, diretamente pelos donos dos livros. Funciona assim: os exemplares são dispostos em quatro mesas. As três primeiras recebem respectivamente literatura clássica, juvenil e gibis. Tudo que não se enquadra nessas categorias acaba na quarta mesa. "Os livros serão deixados em cima da mesa e podem ser pegos por qualquer um. O local será útil para quem teve um livro rejeitado ou sente timidez em negociar", explica o secretário adjunto, José Roberto Sabek, lembrando que trocar livro é uma prática antiga. "Em Bogotá isso é feito, assim como em outras cidades do Brasil."MANIAA idéia pode não ser nova, mas em alguns países virou mania. Isso explica o sucesso do site BookCrossing.com, criado em 2001 pelo americano Ron Hornbaker para incentivar a leitura. O internauta registra um livro de sua estante no site, cola uma etiqueta e deixa o exemplar num lugar público, como uma praça. Hoje o site tem 9 mil usuários cadastrados. A maioria dos livros está em língua estrangeira. Cerca de 14 mil foram colocados por usuários dos Estados Unidos. Já os brasileiros ainda estão em minoria - são apenas 56 no site. "Trocar livros é sempre uma iniciativa interessante. Entra-se em contato com outros assuntos e permite que as pessoas aumentem seu círculo de amizade", diz, entusiasmado, o editor Pedro Paulo de Sena Madureira, que já chegou a ter uma biblioteca particular de 4 mil exemplares e hoje ficou com apenas mil na prateleira. "Livro não pode ficar parado na estante. Tem de ser passado para frente. É uma forma de estimular a leitura."A feira também abre oportunidade a leitores sem dinheiro para gastar nas livrarias. Filho de pais analfabetos, o músico Gilberto Gonçalves da Silva, de 51 anos, artisticamente conhecido como Zulu Arrebatá, criou o hábito de leitura tarde, aos 35 anos. "Não tinha incentivo da família nem da escola", conta. Mas hoje é um freqüentador assíduo de feiras de livros.Na semana passada, Gilberto participou de uma feira de livros no Clube da Comunidade Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, na zona leste, bairro onde mora. "O dinheiro que eu ganho é para sobreviver", diz o músico, que atualmente está lendo De Getúlio a Castelo, de Thomas Skidmore. "Reuni alguns exemplares e fui lá ver no que dava." Para participar, valia levar qualquer tipo de livro. "Só não podia livro em mau estado de conservação", explica Maria Alice Setúbal, presidente da Fundação Tide Setúbal.PRAZERHá mais de 40 anos no mercado de livros, Madureira dá uma dica a quem ainda não lê com freqüência: "É preciso ler de tudo para descobrir o próprio gosto literário. Daí, para virar um leitor voraz, é um passo", diz. "Ninguém pode esquecer que ler é um prazer e, se não for assim, não tem a menor graça."PROGRAME-SEFEIRA NO PARQUE DO CARMODomingo, na Avenida Afonso de Sampaio e Souza, 951, ItaqueraTel.: 6748-0010PARQUE DA LUZDia 25, na Praça da Luz, no centroTel.: 3032-3727PARQUE DO IBIRAPUERADia 2 de dezembro, na Avenida Pedro Álvares Cabral, IbirapueraTel.: 5549-9688 Mais informações: Secretaria Municipal da CulturaTel.: 3334-0001

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