A presidente não tinha alternativa

O escândalo Palocci estava tendo efeito devastador para o governo e, caso se prolongasse mais, representaria não só a possibilidade de aprofundamento da ameaça à governabilidade no Congresso, mas também poderia provocar a perda de credibilidade junto a diferentes setores da sociedade, num momento em que a presidenta tem desafios concretos a serem enfrentados - como o aprofundamento do combate à pobreza, o controle da inflação e a viabilização de recursos para obras de infraestrutura, indispensáveis para o crescimento do País e para a concretização de importantes eventos de impacto internacional, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Marco Antonio Carvalho Teixeira, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

No que se refere aos riscos para a governabilidade, era notório que parte da base aliada usou este caso para chantagear o governo e condicionava a blindagem de Palocci à obtenção de vantagens - quer sob a forma de mais espaço na administração federal, quer por meio da exigência de veto a projetos de lei ou a retirada de propostas legislativas que contrariavam seus interesses, como ocorreu em ação da bancada evangélica.

Ou seja, o governo ficou paralisado e assumiu a crise para si. Sua prioridade estava voltada à proteção ao ministro e à tentativa de evitar que ele fosse convocado para prestar esclarecimentos na Câmara ou, então, que fosse instalada uma CPI no Senado para investigá-lo. A crise expôs, num momento de fragilidade da saúde da presidente, o constrangimento público da presença do ex-presidente Lula agindo como articulador político do governo, passando para a sociedade a imagem que Dilma não tinha ainda autonomia política frente a seu antecessor.

Dada a dimensão do caso e o fato de envolver alguém que foi o seu principal coordenador de campanha, não restou outra alternativa a Dilma senão afastar o ministro Palocci da sua equipe. O que estava em jogo era, sobretudo, a manutenção da credibilidade pública da imagem da presidenta, algo indispensável para que ela não se tornasse definitivamente refém de parcela de sua base de sustentação.

PROFESSOR DO DEP. DE GESTÃO PÚBLICA DA FGV-SP

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