A simbiose do presidente

Lula não conseguiu separar o petista do estadista durante todo o mandato

, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

Nunca foi demarcada a fronteira entre o Lula-petista e o Lula-presidente. Mesmo no cargo, sempre mostrou uma "conduta política flex": ora dirigida ao partido, ora institucional.

Em dezembro de 2002, Lula reuniu-se com o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, envergando uma estrelinha vermelha brilhante, na gola de seu paletó. No encontro, Bush usou um pequeno broche com a bandeira norte-americana. Na época, a imagem de Lula com o símbolo do PT causou controvérsias e foi considerada um deslize no protocolo.

Esta não foi, no entanto, a única vez em que houve uma espécie de simbiose entre a estrela vermelha do PT e instituições públicas. Numa mistura entre o que é público e privado, a primeira-dama Marisa Letícia mandou fazer, em 2004, uma gigantesca estrela com flores vermelhas (sálvias) nos jardins do Palácio da Alvorada e na Granja do Torto, residências oficiais do presidente Lula.

O jardim do Palácio da Alvorada, cujo projeto foi doado ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1960) pelo imperador japonês Hiroito, ostentou por cerca de seis meses o canteiro de flores com a estrela de quatro metros de diâmetro.

Na Granja do Torto, onde Lula e a família costumam a passar os finais de semana, a estrela era um pouco maior: tinha cinco metros de diâmetro.

O símbolo petista foi retirado tempos depois dos jardins das duas residências.

Estrela a bordo. A utilização da estrela do PT em bens públicos não é um privilégio do governo federal. Em setembro do ano passado, o Ministério Público determinou ao governo do Acre a retirada da estrela vermelha do helicóptero usado pelo Estado em operações de segurança pública.

Nesta semana, na condição de cabo eleitoral mais proeminente da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, Lula assumiu a bandeira do Brasil na lapela de seu terno, no dia 7 de setembro, para defender a petista das acusações de quebra de sigilo fiscal de tucanos em agências da Receita Federal.

Numa aparição de mais de dois minutos, Lula partiu para o ataque direto ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Diante da pompa e circunstância da imagem, ele deu a impressão de fazer um pronunciamento oficial à Nação.

A logomarca do PT que, no passado foi um dos símbolos mais populares da política nacional, agora aparece de forma discreta na campanha da candidata petista, resumindo-se ao pingo no "i" do nome Dilma.

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