'A sociedade precisa se apropriar da Assembleia'

Deputado estadual mais votado de São Paulo, neto de Covas gastou cerca de R$ 1 milhão em sua campanha

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

ENTREVISTA

Bruno Covas, deputado estadual (PSDB)

Aos 30 anos, Bruno Covas (PSDB) assume seu segundo mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo sob nova responsabilidade. Foi recordista na preferência do eleitorado, com 239.150 votos. Em meio à comemoração da vitória, que envolveu a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como cabo eleitoral, Covas disse seguir o exemplo do avô, o ex-governador Mário Covas, e que espera chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

O sr. teve praticamente o dobro de votos da eleição passada. A que o sr. atribui isso?

É um trabalho de quatro anos de muita dedicação, esforço. Dentro da Assembleia, de participação nas comissões, de relator do Orçamento, de presidente de CPI. E fora da Assembleia, de visitar entidades, de conseguir recursos, de conseguir resolver problemas do governo do Estado. Fiz essa aproximação entre sociedade e governo. Em 2006, eu vendi esperança. Nunca tinha ocupado cargo público, vendi uma possibilidade de projeto. E agora apresentei um trabalho à população. Alguns fatores durante a campanha ajudaram muito. O Movimento Voto Consciente divulgou um relatório que me considerou o deputado mais atuante. O presidente Fernando Henrique, que declarou voto em mim (em anúncios de jornal). Essas declarações de voto ajudaram muito, principalmente dentro da classe média.

E o custo de sua campanha, aumentou?

Aumentou.

O sr. tem ideia de quanto?

Na outra ficou em torno de R$ 800 mil. Agora passou de R$ 1 milhão. Estamos fechando o número exato.

Em que medida o relatório da Voto Consciente ajudou a incrementar sua votação?

Na medida em que as pessoas passaram a buscar referências. Apesar de termos 2 mil candidatos a deputado estadual, a maioria não conhecia um. É diferente de campanha para vereador, em que você até conhece dois, três candidatos. A campanha para deputado acaba sendo uma coisa mais longe da população. Então, há a busca por referências, como avalistas, alguém que declare voto, um instituto imparcial que elabore um estudo. Não tem como quantificar esse apoio, mas ontem, por exemplo, recebi uma mensagem no Twitter de duas pessoas que viram minha colocação na Voto Consciente e disseram que votariam em mim, que estavam apostando em mim. Ou seja, consegui ao menos dois votos por conta disso.

Por outro lado, o Movimento Voto Consciente é muito crítico com relação à Assembleia. Estudos mostram que há muitos projetos que não têm uma serventia clara à população. O sr. concorda com essa avaliação?

Concordo. Primeiro, pela própria falta de atribuição que os Legislativos estaduais têm hoje. Ficam entre o Congresso, que decide todos os assuntos do País - direito civil, tributário, trabalhista, penal -, e a Câmara Municipal, que decide tudo o que é assunto local. A Assembleia perdeu um pouco a competência legislativa, no sentido jurídico da palavra. Então hoje ela precisa buscar uma forma de atuação que independa disso. Precisa resgatar um pouco o papel dela de pensar a médio e longo prazos. Não apenas na apresentação de projetos, mas na discussão de planos para a sociedade. Conseguir elaborar propostas não para um governo, mas para o Estado de São Paulo, para 10, 15, 20 anos. Acho que talvez a gente consiga resgatar a importância da Assembleia dessa forma.

A Assembleia ainda é tida como uma caixa-preta. Como dar mais transparência?

O presidente atual (Barros Munhoz, do PSDB) ajudou muito começando a divulgar as notas fiscais referentes à prestação de contas. Já era divulgada de forma condensada - podia se saber quanto o deputado gastou com correio, transporte - mas não se sabia onde gastou. Agora passou a ser transparente. É preciso avançar ainda na questão dos cargos de confiança. A Câmara Municipal dá uma transparência maior a isso e a Assembleia é ainda um pouco fechada. E fora isso, a sociedade precisa se apropriar um pouco mais da Assembleia. Sempre que fazemos audiência pública, a participação ainda é muito baixa.

O sr. é favorável à manutenção da verba indenizatória?

Claro.

Por qual motivo?

Porque ajuda o deputado a trabalhar. Se não fosse a verba indenizatória, talvez eu não conseguisse rodar o Estado.

Quanto da sua carreira política o sr. atribui a seu avô?

100%. Decidi ser político porque dentro de casa eu tinha um exemplo.

O que almeja?

A gente quer subir de etapas. Para o Legislativo, o partido dá a legenda. Para o Executivo, não basta querer.

E a presidência da Assembleia?

É uma discussão que a nossa bancada ainda precisa ter. Há 23 candidatos, 23 deputados do PSDB.

Pretende ser governador do Estado, como seu avô?

Ah, com certeza.

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