A SP dos arranha-céus avança pelos antigos bairros operários

Mercado concentra projetos na orla ferroviária e perto de futuras estações de metrô; Penha vira o ?novo Tatuapé?

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

15 de junho de 2009 | 00h00

A vista sem arranha-céus parece estar com os dias contados nas estreitas ruazinhas da Penha, um dos bairros mais antigos da cidade de São Paulo, na zona leste da capital. Desenvolvido ao redor da Nossa Senhora da Penha, capela construída no ano de 1667, o bairro que hoje mais parece uma pacata cidade do interior vai transformar-se em breve num dos principais alvos do mercado imobiliário paulistano. No lugar das casas operárias, antigos galpões de fábricas e residências que remontam ao tempo que a região ainda era conhecida como "freguesia", diversos espigões residenciais serão erguidos nos próximos meses, mudando a paisagem da Penha.A transformação já aparece nas planilhas do Departamento de Aprovação de Edificações da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). De acordo com um levantamento feito com base nos processos da Prefeitura de janeiro a abril deste ano, a Penha é justamente o bairro que mais teve novos empreendimentos imobiliários aprovados - exatos 22. Logo depois, no ranking, vêm Lapa, com 18 novos prédios aprovados, Santo Amaro, com 17, Ipiranga, com 14, Vila Mariana, com 12, e Mooca, com 11. Para efeito de comparação, lugares extremamente valorizados como Saúde, Sumaré, Vila Leopoldina, Brooklin, Moema e Vila Olímpia tiveram cada um apenas um novo empreendimento aprovado neste ano.Todos esses números significam alvarás de aprovação de empreendimentos, ou seja, os edifícios ainda não têm prazo para serem entregues. Em uma leitura mais atenta, eles também revelam os endereços para onde São Paulo vai crescer nos próximos anos - mais precisamente, para antigos bairros operários, em torno da orla ferroviária, e para regiões que ganharão novas estações de metrô."As zonas de São Paulo estão crescendo independentemente umas das outras, como se fossem cidades", explica Fábio Rossi, diretor da Itaplan Imóveis e diretor de Lançamentos do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP). "No norte, o mercado está avançando para o lado da Casa Verde. No sul, para Santo Amaro; na leste, para Penha e Mooca; na oeste, está indo para a Lapa. São lugares que ainda têm espaço e o público é de classe média, média alta."?PINHEIROS DA ZONA LESTE?Ressurgindo após um hiato de quase dez anos sem grandes investimentos, a Penha é um bom exemplo - antes tida como um "bairro dormitório", agora é tratado pelos diretores de marketing das imobiliárias como o "novo Tatuapé" ou "Pinheiros da zona leste". Segundo os números do Secovi-SP, em 2005 foram lançadas 169 unidades na área. Já entre janeiro e novembro de 2008, o número cresceu mais de 227%, chegando a 571 imóveis.Lapa, Santo Amaro, Ipiranga e Mooca também seguem o mesmo caminho, atraindo não só novos prédios como também novas lojas, padarias, supermercados, restaurantes, bares da moda e até shoppings. O investimento em bairros em torno da linha do trem está sendo provocado pela própria Prefeitura - o principal instrumento para incentivar o mercado imobiliário a apostar na região são as 15 operações urbanas no entorno das linhas do trem e das futuras linhas do Metrô, o que permite ao Município arrecadar recursos junto ao setor privado para investir em projetos para a região. Juntas, somam 250 km², cerca de 17% do território de São Paulo. ?MINHA CASA MINHA VIDA?O avanço para os bairros mais periféricos deve se acentuar ainda mais nos próximos anos. Para João Crestana, diretor do Secovi, o Programa "Minha Casa Minha Vida", lançado pelo governo federal para subsidiar empreendimentos populares, vai mudar o perfil dos lançamentos na capital. "Existe uma demanda de empreendimentos na faixa entre 3 e 10 salários mínimos. Isso vai acelerar o mercado voltado para essa faixa nos bairros de classe média", acredita.

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